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ECONOMIA

Sachsida propõe teto para dívida; Daniella Marques defende autonomia financeira e competitividade

Controle das despesas, produtividade e ampliação das oportunidades econômicas estão entre as propostas apresentadas pelos economistas

O ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida e a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, integrantes da equipe técnica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), defenderam propostas para o equilíbrio das contas públicas e o crescimento econômico. Sachsida propôs reduzir despesas e estabelecer um limite para a dívida pública, enquanto Marques destacou a autonomia financeira, o acesso à propriedade e a competitividade. As declarações foram feitas nesta terça-feira (1º), durante evento do Lide, em São Paulo.

As apresentações abordaram os desafios para equilibrar as contas públicas, atrair investimentos e aumentar a competitividade do país, além de propostas em discussão para o projeto econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Sachsida defende ajuste pela redução de gastos

Para Sachsida, o crescimento da dívida pública e o custo de financiamento do governo exigem uma mudança na condução fiscal. O ex-ministro defendeu que o ajuste seja concentrado na contenção das despesas, em vez da criação ou elevação de tributos.

“Eu venho de uma escola de pensamento que acha que a melhor maneira de fazer um ajuste é reduzindo o gasto. Porque, quando você reduz o gasto, sobra espaço para o setor privado entrar na economia”, afirmou.

O economista criticou medidas de aumento de arrecadação, citando mudanças no IOF e a tributação das exportações de petróleo. Na avaliação dele, essas iniciativas podem elevar os custos para consumidores e empresas e reduzir a previsibilidade para investidores.

“Não dá mais para criar novos tributos. […] O nosso processo de consolidação fiscal tem que ser pela redução dos gastos. Isso é urgente”, disse.

Sachsida estimou que seria possível reorganizar o quadro fiscal em cerca de um ano e meio. Segundo ele, existe um diagnóstico relativamente disseminado entre economistas sobre os principais problemas orçamentários, embora haja divergências sobre a intensidade e a velocidade das medidas.

Limite para dívida acionaria restrições às despesas

Entre as propostas apresentadas, Sachsida defendeu uma reformulação do antigo teto de gastos. A ideia é estabelecer um limite para a relação dívida-PIB e acionar restrições às despesas quando o endividamento ultrapassar determinado patamar.

O mecanismo também consideraria os efeitos de gastos extraordinários sobre a dívida. Recursos destinados ao atendimento de emergências poderiam ficar fora do limite anual de despesas, mas continuariam sendo contabilizados no endividamento.

“Teve um crédito extraordinário para ajudar, teve uma catástrofe e nós tivemos que ajudar. Isso não entra no teto de gastos, mas bate na relação dívida-PIB. Então, isso mantém o gatilho do teto de gastos disparado”, explicou.

Além do ajuste fiscal, o ex-ministro defendeu desburocratização, revisão de regras e mudanças em marcos legais para elevar a produtividade e atrair investimentos. Ele também apontou os impactos sociais das transformações tecnológicas como um desafio de prazo mais longo.

Daniella Marques destaca autonomia financeira e acesso à propriedade

Integrante da equipe que trabalha no projeto econômico de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques defendeu que o Estado crie condições para a população conquistar autonomia financeira, acesso à propriedade e oportunidades de crescimento.

A economista criticou o que chamou de “assistencialismo”. Na avaliação dela, esse modelo afasta o país da prosperidade, e a atuação do poder público deve favorecer condições para que as pessoas ampliem sua independência econômica.

“Que o Flávio seja um presidente não que distribua migalhas, mas que distribua oportunidades, dignidade e propriedade e, principalmente, coloque o Brasil na era da modernidade com a competitividade que merece”, afirmou.

A fala colocou a ampliação das oportunidades e a modernização da economia entre as prioridades defendidas por Marques para o projeto do candidato. Sua proposta associa a atuação do Estado à criação de condições para o crescimento financeiro das famílias e ao aumento da competitividade brasileira.

Sachsida propõe teto para dívida; Daniella Marques defende autonomia financeira e competitividade