A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou ao centro das atenções, diante da alta do preço do diesel e da avaliação de lideranças do setor de que as medidas anunciadas até agora não tiveram efeito prático sobre o custo do combustível.
Caminhoneiros de diferentes regiões do país têm alertado o governo federal sobre a chance de uma paralisação nacional nos próximos dias. A mobilização ganhou força após uma assembleia realizada no Porto de Santos, em São Paulo, na segunda-feira (16), quando representantes da categoria manifestaram apoio ao movimento. Ainda não há uma data definida para o início de uma eventual paralisação, mas parte dos participantes defende que a mobilização comece já nesta semana.
A articulação reúne tanto caminhoneiros autônomos quanto profissionais que atuam para empresas de transporte, ampliando o alcance potencial de uma paralisação e elevando a atenção de agentes do setor logístico e do mercado.
O avanço da mobilização ocorre em um momento de pressão sobre os preços dos combustíveis, influenciados por fatores externos, como as tensões no Oriente Médio, que têm impacto sobre o custo do diesel no mercado interno. Para a categoria, o aumento do combustível reduz margens e compromete a rentabilidade do transporte de cargas no país.
Governo se mobiliza para conter possível greve dos caminhoneiros
Diante do risco de uma greve dos caminhoneiros, o governo federal passou a se mobilizar para tentar evitar uma paralisação. Nesta quarta-feira (18), o ministro dos Transportes, Renan Filho, deve anunciar um conjunto de medidas voltadas à ampliação da fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete.
Entre as ações previstas estão iniciativas para responsabilizar infratores contumazes e reforçar o monitoramento do pagamento mínimo aos transportadores. Em manifestação nas redes sociais, o ministro afirmou que as medidas buscam garantir remuneração justa ao caminhoneiro, promover concorrência leal e aumentar a eficiência logística no país.
Além disso, o governo intensificou a fiscalização sobre os preços dos combustíveis. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma força-tarefa realizou inspeções em 669 postos de combustíveis, distribuídos por 16 estados, além de 64 distribuidoras e ao menos uma refinaria.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a participação da sociedade é importante para ampliar o controle sobre possíveis irregularidades. A orientação é que consumidores procurem os Procons estaduais para registrar denúncias relacionadas a preços abusivos ou problemas de abastecimento.
A evolução das negociações entre governo e categoria deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas, uma vez que uma paralisação no transporte rodoviário de cargas pode gerar impactos relevantes sobre o abastecimento, os custos logísticos e a atividade econômica.











