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ECONOMIA

Proibição das bets pode tirar R$ 12,3 bi da União

Proibição das bets pode reduzir em R$ 12,3 bilhões a arrecadação federal até 2028. Veja como o governo calculou a perda e os efeitos nas contas públicas.

A proibição das bets no Brasil deve reduzir em R$ 12,3 bilhões a arrecadação federal até 2028, somando tributos e taxas de fiscalização, segundo estimativas do governo após a edição da medida provisória que veta as apostas de quota fixa no país.

Quanto o governo deve perder em arrecadação com a proibição das bets?

O governo federal projeta uma perda de R$ 12,3 bilhões em receitas até 2028 com a proibição das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, em todo o país. A estimativa considera a arrecadação que deixará de entrar nos cofres públicos caso a atividade permaneça proibida até o fim do período projetado.

A conta oficial reúne R$ 12,021 bilhões em tributos que não serão mais recolhidos e R$ 268,8 milhões em taxas de fiscalização que deixariam de ser pagas pelas empresas do setor. Para 2026, o impacto isolado calculado pelo governo é de R$ 1,58 bilhão.

Como o governo chegou ao valor de R$ 12,3 bilhões?

A projeção consolida duas frentes de receita:

– Tributos: somam R$ 12,021 bilhões estimados até 2028, relacionados aos impostos incidentes sobre a operação das bets.
– Taxas de fiscalização: totalizam R$ 268,8 milhões, ligados à supervisão estatal do setor.

Em termos práticos, o número de R$ 12,3 bilhões representa o que a União deixaria de arrecadar se o mercado de apostas de quota fixa continuasse operando e tributado nas condições inicialmente previstas, mas foi interrompido pela nova regra.

Segundo o governo, a perda não inclui valores de outorgas já concedidas às empresas, porque esses montantes foram pagos integralmente e não serão devolvidos. A discussão se concentra, portanto, na arrecadação recorrente que deixará de existir com o fechamento das operações.

Quando a perda aparece nas contas públicas e o que muda para o fiscal?

O efeito da proibição das bets sobre as receitas deste ano será incorporado ao próximo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, documento bimestral que atualiza as projeções fiscais do governo federal.

Esse relatório é a base técnica para decisões sobre:

– necessidade de contingenciamento de gastos;
– cumprimento das metas do novo regime fiscal;
– ajustes em programas e despesas discricionárias ao longo do ano.

O governo informa que um eventual aumento na contenção de gastos por causa da perda de receitas ainda não foi calculado. Esse movimento dependerá das próximas revisões fiscais, que levarão em conta outros fatores, como desempenho de impostos, crescimento da economia e despesas obrigatórias.

Na prática, se a arrecadação ficar aquém do esperado e a perda com as bets não for compensada por outras fontes, a tendência é de maior aperto sobre o orçamento, sobretudo em investimentos e despesas não obrigatórias.

O que exatamente foi proibido e qual é o prazo do Congresso?

A proibição das apostas de quota fixa entrou em vigor por meio de medida provisória (MP) publicada em 25 de setembro de 2026. Desde então, o funcionamento das bets no Brasil passou a ser vedado, com aplicação imediata das novas regras.

Pelas regras constitucionais, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder validade. Se não houver votação nesse prazo ou se o texto for rejeitado, a proibição deixa de valer e o marco regulatório volta à situação anterior à medida provisória.

O conteúdo da MP e as regras detalhadas para o encerramento das operações são explicados em notas oficiais do governo, como as publicadas pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério da Saúde. A tramitação legislativa é acompanhada pela Câmara dos Deputados.

Há risco de devolução das outorgas ou nova despesa para o Tesouro?

Segundo o governo, não haverá perda com outorgas já concedidas às empresas de apostas de quota fixa. O argumento oficial é que os valores foram pagos integralmente na assinatura dos contratos e não estão sujeitos a devolução no desenho atual da política.

Isso significa que:

– a estimativa de R$ 12,3 bilhões não considera qualquer reembolso a operadores;
– o impacto fiscal discutido está restrito à arrecadação futura que não ocorrerá com a proibição do setor.

Do ponto de vista do caixa da União, portanto, o foco é a frustração de receitas projetadas, e não a criação de uma nova despesa imediata ligada a indenizações.

O que essa perda de receita não mostra e qual é o custo oculto para o contribuinte?

A projeção de R$ 12,3 bilhões mira apenas a receita direta que deixa de entrar no orçamento federal. Alguns pontos relevantes não aparecem nessa conta:

– Efeitos indiretos sobre a atividade econômica: fechamento de operações formais pode afetar emprego, consumo e arrecadação de outros tributos, para cima ou para baixo, dependendo de como o gasto das famílias se redistribui.
– Custos de fiscalização e combate à ilegalidade: com a atividade formal proibida, parte das apostas tende a migrar para canais informais, exigindo mais recursos de fiscalização, inclusive policial.
– Impacto sobre estados e municípios: a estimativa divulgada se concentra nas receitas federais. Eventuais efeitos sobre tributos locais não estão incluídos na conta oficial.

Para o contribuinte, o ponto sensível é que, se a perda de arrecadação não for compensada por outras fontes de receita ou por corte de gastos, o ajuste pode recair em mais aperto orçamentário, postergação de despesas discricionárias ou necessidade futura de mudanças tributárias.

Quais são os próximos passos e o que acompanhar daqui para frente?

Do ponto de vista fiscal e regulatório, os principais movimentos a monitorar são:

1. Tramitação da MP no Congresso: mudanças no texto podem alterar o alcance da proibição, criar regimes de transição ou até reabrir espaço regulado para as bets.
2. Próximo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias: é nele que a estimativa de perda para 2026 será formalmente incorporada às contas públicas.
3. Decisões de contingenciamento: a equipe econômica poderá usar a frustração de receitas com bets como um dos argumentos para ajustes adicionais de despesas.
4. Eventuais novas fontes de arrecadação: para compensar a perda, o governo pode priorizar medidas de aumento de receita ou revisão de benefícios tributários, em linha com debates acompanhados por órgãos como o Observatório de Benefícios Tributários do TCU.

Para o investidor e o empresário, a orientação prática é acompanhar a combinação de projeções de receita com o comportamento do gasto discricionário no orçamento, pois daí virão os sinais de maior ou menor aperto fiscal adiante.

Notebook em segundo plano com jogo de futebol passando e à frente um celular com aplicativo de apostas onlines.
Apostas onlines. (Foto: Canva)