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ECONOMIA

Pressão de Trump sobre Fed exige resposta fiscal, não retórica

As críticas recentes de Donald Trump ao Federal Reserve e ao colegiado responsável pela política de juros nos EUA revelam um padrão conhecido: presidentes raramente se satisfazem com taxas elevadas. Na análise de Fabio Fares, convidado pela BM&C News, a pressão pública sobre o banco central não resolve o problema central. Para reduzir os juros nos EUA, Trump e sua equipe precisam atuar no campo fiscal, recuperar a confiança dos investidores e tornar mais eficiente o financiamento da dívida americana.

A estratégia de usar Kevin Warsh como alvo indireto das críticas segue um roteiro familiar também no Brasil, onde pressões sobre o Banco Central e questionamentos sobre a demora em reduzir a taxa básica se repetem. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.

Retórica não substitui ajuste nas contas públicas

Segundo Fares, presidentes de economias avançadas e emergentes compartilham a mesma insatisfação com juros altos, mas a solução passa por decisões concretas no campo fiscal. A redução do déficit e a melhora na percepção de risco sobre a dívida americana são condições necessárias para que o Fed tenha espaço para cortar taxas sem comprometer a estabilidade monetária.

A polarização política no Ocidente, na leitura apresentada, trava decisões importantes e alimenta disputas que sacrificam o bem comum. O contraste com o modelo chinês, onde não há oposição formal e as decisões são centralizadas, coloca em evidência a dificuldade de governos democráticos em coordenar ajustes estruturais em meio a embates partidários.

Midterms podem frear agenda tecnológica por razões políticas

O risco de uma derrota republicana nas eleições de meio de mandato adiciona outra camada de incerteza. Para Fares, se os democratas reconquistarem maioria no Congresso, podem usar essa posição para bloquear avanços em inteligência artificial por birra política, e não por fundamentos técnicos ou econômicos. Esse cenário colocaria em risco a dianteira tecnológica dos Estados Unidos em relação à China, justamente no momento em que a competição global por liderança em IA se intensifica.

A sobreposição entre paralisia fiscal e disputa tecnológica cria um ambiente pouco favorável para a redução sustentável de juros. Dois erros não fazem um acerto.

Ciclo adicional de alta pode elevar desemprego e pressionar endividados

As consequências de um novo ciclo de alta de juros incluem a possibilidade de desemprego subir para cerca de 5%, em uma economia já em desaceleração e com população mais endividada. A combinação de juros elevados, déficit fiscal persistente e tensão política pode comprometer a capacidade de resposta da maior economia do mundo a choques futuros.

Na avaliação de Fares, confiar exclusivamente na inteligência artificial como solução para os problemas econômicos é arriscado demais, especialmente se o ambiente político seguir polarizado e a agenda fiscal continuar pressionada. A redução dos juros nos EUA depende de ações concretas, não de narrativas sobre quem é o responsável pela política monetária. O Excel fecha. O caixa é que cobra.

Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=MQxEDQSUIrQ

TRUMP E FED