O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA avançou a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025, segundo a estimativa inicial divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Departamento de Comércio do país.
O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas ouvidos pela FactSet, que projetavam crescimento de 1,9% no período.
A leitura também mostra uma desaceleração relevante em relação ao trimestre anterior. Entre julho e setembro de 2025, a economia norte-americana havia registrado expansão anualizada de 4,4%, indicando perda de fôlego na reta final do ano.
Paralelamente, os dados de inflação reforçaram a cautela do mercado em relação à política monetária. O núcleo do índice de preços PCE, métrica preferida do Federal Reserve para monitorar a inflação, avançou 0,4% em dezembro, após alta de 0,2% em novembro.
A aceleração, somada à expectativa de pressão adicional nos primeiros meses do ano, fortalece a avaliação de que o banco central americano pode adiar o início do ciclo de cortes de juros, possivelmente para depois de junho.
O que explica o PIB mais fraco nos EUA
Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o resultado confirmou uma desaceleração relevante da economia americana no fim de 2025. Segundo ele, consumo e investimento ainda sustentaram a atividade, enquanto gasto público e exportações tiveram contribuição negativa, em um período marcado inclusive por paralisações administrativas do governo. O estrategista também destacou que o índice de inflação PCE subiu para 2,9%, afastando-se da meta de 2% do Federal Reserve, o que pode levar o mercado a revisar as expectativas de cortes de juros ao longo do ano.
“A combinação de inflação ainda pressionada e crescimento mais fraco sugere um cenário mais complexo para a condução da política monetária nos Estados Unidos“, avalia o estrategista.
Inflação passa a ser o principal problema para o Fed
Na leitura de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o crescimento mais fraco do PIB surpreendeu negativamente, mas tem explicação concentrada na forte queda dos gastos públicos, impactados pelo shutdown do governo federal. Segundo ele, o investimento privado e o consumo ainda apresentaram expansão, o que ameniza qualitativamente o dado de atividade.
“A maior preocupação, porém, veio da inflação medida pelo PCE, que avançou para 2,9% e teve núcleo em 3%, acima do consenso e da meta de 2% do Federal Reserve”.
Para Castro Alves, a aceleração inflacionária, associada ao repasse de tarifas para preços de bens duráveis, tende a adiar cortes de juros e pode até elevar a probabilidade, ainda que baixa, de alta de juros nos Estados Unidos, pressionando os rendimentos dos Treasuries e a condução da política monetária.