A Confiança do Empresário Industrial voltou a recuar em março e passou a refletir um ambiente mais desafiador para a atividade produtiva no país. Dados dos Resultados Setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicam que o pessimismo alcançou empresários de 23 dos 29 segmentos industriais. Apenas seis setores seguem em território de confiança, a falta de confiança atingiu o maior número de setores desde janeiro de 2025.
O movimento reforça uma tendência observada desde o início de 2026. Em janeiro, 20 setores demonstravam falta de confiança. Em fevereiro, esse número subiu para 21 e, em março, chegou a 23. O avanço do sentimento negativo ocorre em um contexto de juros ainda elevados e de condições financeiras consideradas restritivas para investimentos e expansão da produção.
Segundo avaliação da CNI, a redução recente da taxa de juros, de apenas 0,25 ponto percentual, tem sido insuficiente para alterar de forma significativa as expectativas dos empresários. Na prática, o ambiente de crédito mais caro e a percepção de demanda mais fraca seguem influenciando decisões operacionais e estratégicas da indústria.
Confiança do Empresário Industrial por região
A queda da Confiança do Empresário Industrial também foi registrada em todas as regiões do país. No Sul, o ICEI recuou 2,4 pontos, chegando a 44,8 pontos, enquanto no Sudeste caiu 0,8 ponto, para 46 pontos. No Centro-Oeste e no Norte, a retração foi de 2,6 pontos e 1,6 ponto, respectivamente, levando os índices a 49,5 pontos e 48,7 pontos. Com isso, ambas as regiões deixaram o território de confiança e passaram a sinalizar pessimismo.
O Nordeste foi a única região a permanecer em patamar otimista, apesar da leve queda do indicador. O índice passou de 53,1 pontos para 52,8 pontos, mantendo-se acima do nível de neutralidade. O ICEI varia de 0 a 100 pontos, sendo que valores abaixo de 50 indicam falta de confiança dos empresários industriais.
ICEI por porte de empresa
No recorte por porte de empresa, a Confiança do Empresário Industrial também apresentou deterioração. Entre as pequenas indústrias, o índice caiu de 47,6 pontos para 46,1 pontos. Nas médias, recuou de 49,3 pontos para 47 pontos. Já nas grandes empresas, a queda foi mais moderada, de 49,2 pontos para 48,7 pontos.
A pesquisa que embasa o ICEI Setorial de março ouviu 1.699 empresas entre os dias 2 e 11 do mês. Desse total, 703 eram pequenas, 604 médias e 392 grandes. O levantamento é acompanhado de perto por analistas e investidores por oferecer sinais antecipados sobre o ritmo da atividade industrial e o potencial de investimentos no setor produtivo.
O avanço do pessimismo na Confiança do Empresário Industrial tende a entrar no radar do mercado ao indicar possíveis impactos sobre produção, emprego e decisões de capital ao longo dos próximos meses.













