Pular para o conteúdo
Mercados
IBOV 209.067 +1.38% USD/BRL R$ 4,99 -0.61% EUR/BRL R$ 5,58 -0.72% BTC/BRL R$ 415.781 +0.21% PETR4 R$ 56,00 +0.94% VALE3 R$ 67,90 +0.38% WEGE3 R$ 51,47 -0.58% ITUB4 R$ 50,70 +2.74% BBDC4 R$ 21,61 +0.46% BBAS3 R$ 24,64 +1.57% BPAC11 R$ 81,50 +5.20% ABEV3 R$ 15,99 -0.99% CYRE3 R$ 35,23 +6.44%
Nelogica
ECONOMIA

OCDE revisa PIB do Brasil para cima em 2026, mas reduz projeção para 2027

Organização revisou crescimento brasileiro de 1,6% para 2% neste ano, apoiado pela demanda interna; para 2027, estimativa do PIB caiu para 1,9%

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou a projeção para o PIB do Brasil em 2026 de 1,6% para 2%. A revisão de 0,4 ponto percentual consta do relatório econômico interino divulgado nesta quarta-feira (23). Para 2027, porém, a entidade reduziu a estimativa de crescimento brasileiro de 2,1% para 1,9%.

A melhora da previsão para este ano ocorre em um cenário no qual a economia brasileira tem mostrado resistência aos choques provocados pela alta dos preços de energia e pelo conflito no Oriente Médio. A OCDE aponta a demanda doméstica resiliente e medidas adotadas para reduzir o impacto dos custos de energia sobre famílias e empresas entre os fatores que sustentaram a atividade.

Mesmo com a revisão positiva, a expansão projetada para o Brasil permanece abaixo da estimativa da organização para a economia mundial. A OCDE prevê crescimento global de 2,9% em 2026 e de 3% em 2027.

O que levou a OCDE a elevar a previsão para o Brasil?

O relatório destaca que Brasil, Índia e Indonésia estão entre as economias emergentes do G20 nas quais a atividade foi sustentada pela demanda doméstica, mesmo diante do choque provocado pelos preços mais altos da energia.

A entidade afirma que políticas governamentais também contribuíram para amortecer os efeitos da alta da energia sobre consumidores e empresas. Esse movimento ajudou a limitar parte do impacto da crise internacional sobre a atividade econômica.

Outro fator considerado nas projeções é a trajetória da política monetária. A OCDE avalia que a flexibilização dos juros ao longo do período projetado deve contribuir para a atividade em algumas economias emergentes, entre elas Brasil e Turquia.

O relatório destaca que o Brasil foi uma exceção entre as principais economias nos últimos meses. Enquanto diferentes bancos centrais elevaram os juros desde março, a taxa básica brasileira foi reduzida em mais de 1 ponto percentual no período, embora tenha partido de um nível considerado bastante restritivo. A OCDE projeta novas reduções à medida que a inflação recue.

Inflação brasileira preocupa mais em 2026

A melhora da expectativa para o PIB veio acompanhada de uma revisão relevante nas projeções de preços. A OCDE agora estima inflação de 5,1% no Brasil em 2026, ante 4,4% projetados no relatório de junho. Para 2027, a previsão passou de 3,6% para 4,3%.

O cenário reflete uma pressão inflacionária maior em diversas economias após a alta das commodities energéticas. Mais da metade dos países do G20 apresenta atualmente inflação acima da meta definida por seus respectivos bancos centrais, de acordo com a organização.

Para o conjunto do G20, a inflação deve chegar a 4,1% em 2026 e recuar para 3,6% no próximo ano. Nos mercados emergentes do grupo, a projeção é de inflação de 4,8% neste ano e 4,3% em 2027.

Como está a projeção para a economia mundial?

A OCDE também elevou ligeiramente sua previsão de crescimento global para 2026, de 2,8% para 2,9%. Para 2027, a estimativa foi reduzida de 3,1% para 3%.

Nos Estados Unidos, a organização espera crescimento de 2,2% em 2026 e de 2,1% no próximo ano. Os investimentos ligados à inteligência artificial continuam dando suporte à atividade, enquanto a perda de poder de compra e a desaceleração do consumo devem limitar uma expansão mais forte.

Para a China, a previsão é de avanço de 4,5% neste ano e 4,2% em 2027. Na zona do euro, o crescimento esperado é de 1% nos dois anos.

A OCDE destaca que os investimentos relacionados à inteligência artificial ajudaram a compensar parte dos efeitos negativos do choque energético. Gastos com data centers, equipamentos tecnológicos e semicondutores impulsionaram investimentos, produção e comércio em diferentes países.

Quais são os principais riscos para 2027?

Apesar da resistência maior que a esperada da economia global, a OCDE considera que os riscos permanecem concentrados no cenário internacional, especialmente no mercado de energia.

A duração das interrupções no fornecimento de petróleo e gás relacionadas ao conflito no Oriente Médio pode determinar a trajetória da inflação e da atividade. Uma persistência da alta da energia teria potencial para reduzir o poder de compra das famílias e aumentar os custos das empresas.

A organização também cita possíveis choques climáticos, elevação dos juros de longo prazo e uma eventual frustração com os retornos esperados dos investimentos em inteligência artificial como fatores que podem limitar o crescimento mundial.

OCDE revisa PIB do Brasil para cima em 2026, mas reduz projeção para 2027
Foto gerada por IA