BM&C NEWS
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

O custo invisível que já pesa no PIB do Brasil

Afastamentos por transtornos psicológicos batem recorde em 2025, reduzem produtividade, pressionam o INSS e passam a gerar impacto macroeconômico

Renata NunesPor Renata Nunes
31/01/2026

O Brasil atingiu em 2025 o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais da última década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 546 mil licenças foram concedidas por ansiedade, depressão e outros distúrbios psicológicos ao longo do ano.

O avanço tem impacto direto sobre as contas públicas. Apenas com benefícios pagos pelo INSS, o custo estimado já se aproxima de R$ 3,5 bilhões por ano, considerando a média de valores dos auxílios por incapacidade temporária.

O dado consolida um fenômeno que deixa de ser apenas social ou sanitário e passa a assumir dimensão econômica relevante, ao afetar simultaneamente despesa pública, produtividade e base de arrecadação.

Saúde mental na economia: o custo fiscal invisível

Do ponto de vista fiscal, os afastamentos por transtornos mentais entram majoritariamente na categoria de benefícios por incapacidade temporária, pressionando diretamente o caixa da Previdência Social.

O problema se soma a outros vetores estruturais de desequilíbrio do sistema previdenciário, como o envelhecimento populacional, a alta informalidade no mercado de trabalho e o déficit estrutural das contas da Previdência.

Diferentemente de outros gastos, a saúde mental atua como um risco fiscal difuso, de difícil mensuração e pouco discutido nos debates orçamentários.

Para a advogada trabalhista Bárbara Ferrari, sócia do Ferrari Rodrigues Advogados, a legislação já oferece base para responsabilização, inclusive com efeitos indiretos sobre a Previdência. Segundo ela, a NR-1 é a norma central do sistema de Segurança e Saúde no Trabalho e define como as empresas devem identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais.

“A NR-1 é a norma base do Ministério do Trabalho. É nela que está previsto o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO, e o Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR”, explica.

Menos arrecadação, mais despesa

O impacto não se limita ao aumento da despesa pública. Trabalhadores afastados deixam de contribuir com Imposto de Renda, INSS e FGTS, ao mesmo tempo em que reduzem a capacidade produtiva das empresas.

Na prática, forma-se um ciclo vicioso: menos trabalhadores ativos, menor base produtiva e maior gasto obrigatório por parte do Estado.

Leia Mais

DEPOIMENTOS DO CASO DO BANCO MASTER

Caso Banco Master: depoimentos revelam créditos inexistentes e falhas no BRB

30 de janeiro de 2026
FACHADA DO BANCO CENTRAL - COPOM

Copom mantém Selic, sinaliza corte em março e economistas projetam magnitude da queda

29 de janeiro de 2026

O impacto não é apenas sobre a despesa, mas também sobre a base de arrecadação, criando um duplo efeito negativo sobre o equilíbrio fiscal.

Para o empresário e psicanalista, esse custo já aparece de forma direta nos indicadores internos das empresas.

“Hoje isso aparece de forma muito clara no dia a dia da empresa. Aumenta o número de faltas, cresce a quantidade de pessoas que até vão trabalhar, mas rendem pouco, o clima pesa e a rotatividade sobe. O empresário sente isso no resultado, no cansaço do time e na conta do plano de saúde. Muitas vezes ele sente o prejuízo antes de perceber que o problema é emocional”, afirma.

Segundo ele, o afastamento por saúde mental gera um impacto econômico mais amplo do que o custo imediato da licença.

“O impacto é bem maior do que parece. Não é só colocar outra pessoa no lugar. Tem o custo de contratar, treinar, esperar a pessoa pegar ritmo e, enquanto isso, o time fica sobrecarregado. Além disso, a empresa perde alguém que já conhecia o trabalho, o processo e as pessoas. Isso gera atraso, erro e queda de desempenho”, explica.

Transtornos mentais viram problema macroeconômico

O aumento estrutural dos afastamentos por saúde mental reduz o estoque efetivo de capital humano disponível na economia, limitando a capacidade de crescimento de longo prazo do país.

Na prática, parte relevante da força de trabalho deixa de operar em sua capacidade plena, afetando produtividade, eficiência e potencial de expansão do PIB.

Na avaliação do empresário e psicanalista, o fenômeno já pode ser interpretado como uma perda econômica agregada.

“Economicamente significa menos gente trabalhando, menos produção e menos dinheiro girando. Isso afeta empresas, famílias e o país inteiro. Não é só um problema de quem adoeceu, é um impacto direto na economia”, afirma.

Segundo ele, o efeito não se limita à quantidade de trabalhadores, mas à qualidade do capital humano disponível.

“Representa também uma redução do estoque efetivo de capital humano. Porque capital humano não é só estudo ou técnica. É clareza para decidir, energia para trabalhar e capacidade de se relacionar. Quando a mente adoece, tudo isso cai. E o país perde junto”, diz.

Mercado de trabalho e precarização

O avanço de vínculos mais frágeis e da instabilidade profissional aparece como um dos fatores estruturais por trás do aumento dos afastamentos.

Modelos baseados emmúltiplos vínculos, jornadas longas, metas agressivas e menor proteção trabalhista tendem a gerar maior desgaste psicológico e menor previsibilidade de renda.

Para o psicólogo empresarial Fredy Figner, da Fredy Explica Psicologia Empresarial, o adoecimento mental está diretamente ligado à forma como o trabalho é organizado.

“Ambientes tóxicos, excesso de pressão, metas inalcançáveis, jornadas extensas e falta de apoio emocional adoecem tanto quanto um risco físico. Hoje, já está claro que adoecer não é só se machucar fisicamente”, afirma.

Segundo ele, a saúde mental precisa ser tratada como uma variável organizacional, e não apenas individual.

“O foco não é tratar a pessoa, mas sim os fatores psicossociais daquele ambiente que levam ao adoecimento”, diz.

A regulação que foi adiada

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, passou a incluir riscos psicossociais, mas a fiscalização efetiva só está prevista para maio de 2026.

Para Fredy Figner, a discussão não é nova, mas ganhou força diante dos dados recentes.

“A NR-1 é a porta de entrada de todas as normas de saúde e segurança do trabalho. Ela organiza o ‘como fazer’, orientando que as empresas identifiquem, avaliem e gerenciem riscos. E os riscos psicossociais fazem parte disso. Não é moda nem exagero: não existe saúde sem saúde mental”, afirma.

Na avaliação de Bárbara Ferrari, a responsabilização já é uma realidade no Judiciário Trabalhista, mesmo antes da fiscalização efetiva.

“A legislação atual permite responsabilizar a empresa quando fica comprovado que o adoecimento tem relação com o trabalho e que não houve medidas adequadas de prevenção. A NR-1, aliada à Constituição, à CLT e às normas previdenciárias, fornece base legal para esse tipo de responsabilização”, explica.

Risco estrutural para as contas públicas

O avanço dos transtornos mentais tende a se consolidar como mais um fator permanente de pressão sobre o gasto público, ao lado da Previdência, da saúde e da assistência social.

Ao mesmo tempo, a perda de produtividade e de capital humano compromete a capacidade de crescimento econômico e amplia o desafio de equilíbrio fiscal no médio e longo prazo.

Para Júnior Silva, o problema já começa a afetar inclusive o potencial de crescimento do país.

“Um país cresce quando as pessoas conseguem trabalhar bem, produzir e pensar com clareza. Quando muita gente adoece emocionalmente, o crescimento fica mais lento. Por isso saúde mental deixou de ser um tema secundário e virou uma questão estratégica”, afirma.

Saúde mental impacta economia brasileira

O fenômeno dos afastamentos por transtornos mentais deixa de ser apenas um problema de saúde pública e passa a se consolidar como uma variável econômica relevante, com impacto direto sobre produtividade, capital humano e sustentabilidade fiscal.

Sem uma abordagem estruturada, o tema tende a se incorporar de forma permanente ao conjunto de pressões que já limitam a capacidade de crescimento e de organização das contas públicas no Brasil, ao lado de fatores clássicos como envelhecimento populacional, informalidade e desequilíbrio previdenciário.

Saúde mental na economia

Créditos: depositphotos.com / rafapress

Leia

O custo invisível que já pesa no PIB do Brasil

Giro forte, recorde em 186 mil pontos e realização: a semana no Ibovespa

DEPOIMENTOS DO CASO DO BANCO MASTER
EMPRESAS E NEGÓCIOS

Caso Banco Master: depoimentos revelam créditos inexistentes e falhas no BRB

30 de janeiro de 2026

Os depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa,...

Leia maisDetails
FACHADA DO BANCO CENTRAL - COPOM
ECONOMIA

Copom mantém Selic, sinaliza corte em março e economistas projetam magnitude da queda

29 de janeiro de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15,0% ao ano na reunião de janeiro, a quinta...

Leia maisDetails
Créditos: depositphotos.com / motioncenter
MERCADOS

Giro forte, recorde em 186 mil pontos e realização: a semana no Ibovespa

30 de janeiro de 2026
CDBS DO MASTER
MERCADOS

“O mercado ignorou o óbvio”, diz Daoud sobre CDBs do Master

30 de janeiro de 2026
IBOVESPA
MERCADOS

“Alta do Ibovespa é muito mais por fluxo externo do que por fundamentos”, diz economista

30 de janeiro de 2026
MONEY REPORT DISCUTE O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
MONEY REPORT

Gestão, venda e confiança: o que falta para o empreendedorismo avançar no Brasil

30 de janeiro de 2026

Leia Mais

Créditos: depositphotos.com / motioncenter

Giro forte, recorde em 186 mil pontos e realização: a semana no Ibovespa

30 de janeiro de 2026

  O Ibovespa encerrou a semana com ganho de 1,26%, em um movimento marcado por forte volatilidade, renovação de máximas...

CDBS DO MASTER

“O mercado ignorou o óbvio”, diz Daoud sobre CDBs do Master

30 de janeiro de 2026

A crise envolvendo os CDBs do Banco Master reacendeu um debate sensível no mercado financeiro: até que ponto os sinais...

IBOVESPA

“Alta do Ibovespa é muito mais por fluxo externo do que por fundamentos”, diz economista

30 de janeiro de 2026

As renovações das máximas do Ibovespa no início de 2026 tem sido sustentadas muito mais por um movimento intenso de...

MONEY REPORT DISCUTE O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

Gestão, venda e confiança: o que falta para o empreendedorismo avançar no Brasil

30 de janeiro de 2026

O programa Money Report, da BM&C News, recebeu Ticiana Villas Boas, fundadora da 55 Design, Thaya Marcondes, CEO da LBN...

DEPOIMENTOS DO CASO DO BANCO MASTER

Caso Banco Master: depoimentos revelam créditos inexistentes e falhas no BRB

30 de janeiro de 2026

Os depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa,...

CAGED, PNAD, MERCADO DE TRABALHP

PNAD: Desemprego cai a 5,6% em 2025 e atinge menor nível da série histórica

30 de janeiro de 2026

A taxa anual de desocupação no Brasil recuou para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em...

Apple

Apple supera expectativas, bate recorde de receita e vê vendas na China dispararem

30 de janeiro de 2026

A Apple registrou um trimestre de resultados acima das expectativas do mercado, impulsionada por um forte desempenho nas vendas de...

Kevin Warsh

Trump indica Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve

30 de janeiro de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de...

GRAFICO DE AÇÕES

Copasa, CBA e Neoenergia: as ações para ficar de olho nesta sexta-feira

30 de janeiro de 2026

O noticiário corporativo desta sessão traz movimentações relevantes em ações de companhias dos setores de saneamento, energia, aviação e commodities,...

As ligações do Banco Master

Do sistema financeiro ao STF: o caso Banco Master e suas ramificações de poder

30 de janeiro de 2026

O caso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, tornou-se um divisor de águas na história recente do sistema...

Veja mais

COPYRIGHT © 2025 BM&C NEWS. TODO OS DIREITOS RESERVADOS.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA

COPYRIGHT © 2025 BM&C NEWS. TODO OS DIREITOS RESERVADOS.