As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) fecharam em forte queda nesta quarta-feira (8), em um movimento generalizado ao longo de toda a curva, após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
A forte redução dos prêmios refletiu a melhora do ambiente global, com queda do petróleo e recuo dos rendimentos dos Treasuries, levando investidores a reprecificar o cenário de juros no Brasil.
Queda expressiva na curva de juros
Os vencimentos mais líquidos registraram recuos superiores a 40 pontos-base, em um movimento de forte retirada de prêmio de risco. O DI para janeiro de 2028, por exemplo, caiu para 13,475%, ante 13,935% na sessão anterior.
Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 também recuou de forma relevante, refletindo o alívio nas expectativas inflacionárias globais e a melhora no cenário de risco.
Mercado muda aposta para a Selic
Com o movimento, a curva passou a descartar a possibilidade de manutenção da Selic em 14,75% na próxima reunião do Copom, passando a incorporar apostas mais firmes em cortes de juros.
No fim da sessão, o mercado precificava cerca de 76% de chance de corte de 25 pontos-base, enquanto crescia a probabilidade — ainda minoritária — de uma redução mais agressiva, de 50 pontos-base.
Na véspera, antes do acordo geopolítico, ainda havia espaço para apostas em manutenção da taxa básica, cenário que foi completamente eliminado após o alívio no exterior.
Petróleo e Treasuries no centro do movimento
O principal vetor para a mudança foi a forte queda do petróleo, diante da expectativa de normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz, o que reduz temores inflacionários globais.
Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram, reforçando o movimento de compressão de prêmios e favorecendo ativos de maior risco, incluindo a renda fixa brasileira.
Euforia com cautela
Apesar da forte reação, parte do prêmio ainda permanece embutida na curva, refletindo a incerteza sobre a durabilidade do cessar-fogo e os riscos associados ao conflito no Oriente Médio.
Resumo do movimento
- Direção: forte queda das taxas de juros
- Variação: recuos acima de 40 pontos-base em diversos vértices
- Principal driver: cessar-fogo entre EUA e Irã
- Efeito na Selic: mercado passa a precificar cortes
- Probabilidades: 76% para corte de 25 bps; aumento da chance de 50 bps
O movimento desta quarta representa uma mudança relevante na dinâmica da curva de juros brasileira, que volta a responder diretamente ao cenário externo — e, principalmente, à trajetória do petróleo e dos riscos inflacionários globais.













