As expectativas do mercado financeiro divulgadas no Boletim Focus desta segunda-feira (12) indicam estabilidade no cenário macroeconômico, com inflação projetada dentro do intervalo da meta, crescimento moderado da atividade e manutenção de juros elevados ao longo de 2026.
Os dados reforçam a leitura de um ambiente ainda restritivo do ponto de vista monetário, com o Banco Central operando em uma lógica de cautela diante da dinâmica inflacionária e do quadro fiscal.
Inflação segue ancorada no horizonte relevante do Focus
A mediana das projeções para o IPCA de 2026 ficou 4,05% e para 2027, a estimativa ficou em 3,8%, sem alterações. Para 2028 e 2029 o mercado projeta inflação em 3,5%, patamar compatível com a convergência gradual para a meta.
No curto prazo, as estimativas mensais indicam inflação comportada. Para janeiro de 2026, a projeção é de 0,35%, seguida por 0,53% em fevereiro e 0,35% em março. A inflação acumulada em 12 meses suavizada segue em trajetória de desaceleração, reforçando a percepção de menor pressão inflacionária à frente.
Selic elevada e cortes graduais no radar
A expectativa para a taxa Selic em 2026 ficou em 12,25%, sinalizando que o mercado segue vendo juros elevados por um período prolongado. Para 2027, a projeção é de 10,50%, com queda adicional apenas nos anos seguintes.
O dado reforça a avaliação de que o ciclo de flexibilização monetária tende a ser lento e dependente da consolidação do processo desinflacionário, além de condicionado ao ambiente fiscal.
Crescimento moderado da atividade econômica
O Focus manteve a projeção de crescimento do PIB em 2026 em 1,8%, indicando uma economia em expansão moderada, ainda impactada pelo nível restritivo dos juros. Para 2027, a expectativa segue em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 as projeções apontam crescimento de 2%.
No curto prazo, o mercado segue monitorando indicadores antecedentes de atividade para calibrar o ritmo de desaceleração ao longo do primeiro semestre.
Câmbio estável e contas externas pressionadas, mostra o Focus
A mediana das expectativas para o câmbio em 2026 foi mantida em R$ 5,50, com estabilidade também nas projeções para os anos seguintes. O dado sugere que, apesar da volatilidade externa, o mercado não enxerga, neste momento, movimentos abruptos na taxa de câmbio.
Na frente externa, o déficit em conta corrente segue elevado, com projeção de US$ 67,0 bilhões em 2026, enquanto o saldo da balança comercial é estimado em US$ 66,2 bilhões.
Fiscal segue no centro das atenções
As projeções fiscais continuam refletindo um cenário desafiador. A dívida líquida do setor público deve encerrar 2026 em 70,23% do PIB, com trajetória de alta nos anos seguintes.
O mercado projeta resultado primário negativo de 0,60% do PIB em 2026, com déficit nominal estimado em 8,70% do PIB, reforçando a percepção de que o ajuste fiscal permanece como um dos principais pontos de atenção para o cenário macroeconômico.
Leitura do Boletim Focus
“Embora o real continue favorecido pelo elevado diferencial de juros, é pouco provável que ela tenha uma performance parecida com a do ano passado. A força do carrego rivalizará com o risco eleitoral e fiscal ao longo do ano“, avalia.
“Esse ambiente de desancoragem das expectativas para o horizonte relevante mantém o BC sob cautela. Sigo projetando que a autoridade monetária não cortará a taxa Selic na reunião de janeiro, iniciando o ciclo provavelmente em março“, conclui.













