O IPCA de fevereiro avançou 0,70%, acelerando em relação à alta de 0,33% registrada em janeiro, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da aceleração no mês, o índice acumula alta de 1,03% no ano e 3,81% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,44% observados no período imediatamente anterior.
O resultado foi influenciado principalmente pelos reajustes sazonais das mensalidades escolares e pela elevação nos custos de transporte, que juntos responderam por cerca de 66% da inflação de fevereiro.
Educação lidera impacto do IPCA de fevereiro
O grupo Educação registrou a maior variação mensal, com alta de 5,21%, contribuindo com 0,31 ponto percentual para o índice geral. Sozinho, o segmento respondeu por aproximadamente 44% do resultado do mês, refletindo os reajustes normalmente aplicados no início do ano letivo.
Entre os subitens, destacaram-se os aumentos no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%), além da alta de 6,20% nos cursos regulares.
Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, embora o índice tenha acelerado na comparação com meses anteriores, trata-se do menor resultado para fevereiro desde 2020. Ele também ressaltou que, diferentemente do ano passado, não houve pressão relevante do grupo Habitação, especialmente da energia elétrica.
Transportes impulsionam inflação com alta das passagens aéreas
O grupo Transportes teve alta de 0,74%, com impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA de fevereiro. O principal destaque foi o avanço de 11,40% nas passagens aéreas, além de aumentos no seguro voluntário de veículos (5,62%), no conserto de automóveis (1,22%) e no ônibus urbano (1,14%).
Por outro lado, os combustíveis registraram queda de 0,47%, influenciados pela redução nos preços da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%). O etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%), entretanto, apresentaram elevação.
Alimentação mostra leve aceleração
O grupo Alimentação e bebidas variou 0,26% em fevereiro, ligeiramente acima dos 0,23% de janeiro. No consumo dentro de casa, os preços avançaram 0,23%, com destaque para as altas do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).
Entre as quedas, sobressaíram as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%), este último acumulando retração pelo oitavo mês consecutivo.
Já a alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,34%, com redução no ritmo de alta tanto das refeições quanto dos lanches.
Saúde e Habitação também registram alta
Em Saúde e cuidados pessoais, o avanço foi de 0,59%, puxado pelos artigos de higiene pessoal (0,92%) e pelos planos de saúde (0,49%).
O grupo Habitação subiu 0,30%, após queda em janeiro. A principal influência veio do aumento nas tarifas de água e esgoto (0,84%), com reajustes em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.
A energia elétrica residencial teve variação de 0,33%, com manutenção da bandeira tarifária verde. Já o gás encanado apresentou queda de 1,60%, refletindo reduções tarifárias em algumas regiões.
Diferenças regionais
Entre as capitais pesquisadas, a maior variação do IPCA de fevereiro foi registrada em Fortaleza (0,98%), influenciada pelo aumento dos cursos regulares e da gasolina. A menor taxa ocorreu em Rio Branco (0,07%), com destaque para a queda da energia elétrica e dos preços de automóveis novos.
INPC também acelera
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,56% em fevereiro, acima dos 0,39% de janeiro. O indicador acumula alta de 0,95% no ano e 3,36% em 12 meses, também em desaceleração na comparação anual.
Os preços dos produtos alimentícios avançaram 0,26%, enquanto os não alimentícios registraram alta de 0,66%.












