O IPCA-15 de fevereiro subiu 0,84%, após alta de 0,20% em janeiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o indicador passou a acumular alta de 4,10%. O resultado ficou acima das expectativas do mercado.
A aceleração da prévia da inflação foi concentrada principalmente em serviços, movimento observado tradicionalmente no início do ano, mas que tende a chamar a atenção da política monetária.
IPCA-15 de fevereiro: educação puxa inflação no início do ano
O maior avanço percentual veio do grupo Educação, com alta de 5,20% e impacto de 0,32 ponto percentual no índice geral. O movimento reflete os reajustes de mensalidades escolares típicos do começo do período letivo.
Dentro do grupo, os cursos regulares subiram 6,18%, com destaque para:
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ensino médio: +8,19%;
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ensino fundamental: +8,07%;
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pré-escola: +7,49%.
Transportes têm maior impacto no índice
Apesar de não ser o maior aumento percentual, o grupo Transportes foi o que mais pressionou a inflação, com impacto de 0,35 p.p. e alta de 1,72%.
Os principais responsáveis foram:
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passagens aéreas: +11,64%;
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combustíveis: +1,38%;
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etanol: +2,51%;
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gasolina: +1,30%;
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diesel: +0,44%;
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gás veicular: −1,06%;
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Também houve reajustes de tarifas urbanas:
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ônibus urbano: +7,52%;
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metrô: +2,22%;
Saúde e alimentação
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,67%, contribuindo com 0,09 p.p., impulsionado por:
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artigos de higiene pessoal: +0,91%;
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plano de saúde: +0,49%;
Já Alimentação e bebidas avançou 0,20%, com contribuição menor (0,04 p.p.). A alimentação no domicílio subiu apenas 0,09%, abaixo do registrado em janeiro.
Altas:
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tomate: +10,09%;
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carnes: +0,76%;
Quedas:
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arroz: −2,47%;
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frango em pedaços: −1,55%;
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frutas: −1,33%.
A alimentação fora do domicílio subiu mais (0,46%), com aumento da refeição (0,62%) e do lanche (0,28%).
Energia elétrica ajudou a conter o IPCA-15 de fevereiro
O grupo Habitação teve alta moderada de 0,06%. A energia elétrica residencial caiu 1,37%, gerando o maior impacto negativo do mês (-0,06 p.p.). Em fevereiro, vigorou a bandeira tarifária verde, sem custo adicional ao consumidor.
Outros itens:
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água e esgoto: +1,97%;
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aluguel residencial: +0,32%;
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gás encanado: −0,71%;
O grupo Vestuário apresentou queda de 0,42%.
Para o economista Maykon Douglas, as últimas leituras da inflação trouxeram números mais benignos. Desconsiderando a alta na educação, que se limita ao mês de fevereiro, na avaliação do especialista, pode-se dizer que os sinais foram um pouco mais ambíguos. Houve surpresa altista nas passagens aéreas e os núcleos de inflação variaram, na média, acima do esperado pelo mercado.
No entanto, ele destaca que quando se anualiza os resultados mais recentes sem o efeito sazonal, o núcleo continua arrefecendo. E que os preços dos serviços intensivos em trabalho, que seguem pressionados, interromperam uma sequência de cinco meses consecutivos de aceleração.
“O quadro inflacionário está mais favorável para a política monetária, também com o impacto do front externo sobre o câmbio. Isso permitirá que o Banco Central inicie o ciclo de cortes em março. Minha projeção atual aponta para uma inflação de 4,0% em 2026“, avalia.












