O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central manteve praticamente estáveis as expectativas do mercado para a economia brasileira. As projeções atualizadas mostram inflação próxima da meta, atividade econômica moderada e manutenção de juros elevados ao longo de 2026.
Para este ano, a mediana das estimativas aponta IPCA de 3,97%, nível próximo ao centro da meta de inflação. Apesar do número dentro do intervalo perseguido pela autoridade monetária, o mercado ainda vê pressões suficientes para impedir um ciclo acelerado de queda dos juros.
Por isso, a expectativa para a política monetária segue restritiva: o Focus projeta a taxa Selic em 12,25% ao final de 2026, sinalizando que o Banco Central deverá manter cautela ao longo do ano.
Já a atividade econômica continua limitada. A previsão para o PIB de 2026 permaneceu em 1,8%, sugerindo uma economia em desaceleração e com pouco espaço para crescimento mais forte no curto prazo.
Focus: câmbio e setor externo
No câmbio, o Focus manteve a projeção do dólar em R$ 5,50 ao fim de 2026.
O mercado também espera superávit comercial de US$ 67,5 bilhões e déficit em conta corrente de US$ 68,2 bilhões.
Para financiar esse déficit, a expectativa é de entrada de US$ 74,35 bilhões em investimento direto no país (IDP).
Juros altos por mais tempo
Mesmo com a inflação prevista em trajetória gradual de queda, 3,8% em 2027 e 3,5% a partir de 2028, o Focus não aponta cortes rápidos da taxa básica.
As projeções de juros são:
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10,50% em 2027
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10,00% em 2028
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9,50% em 2029
Na prática, o mercado ainda vê a Selic acima do nível neutro por vários anos, refletindo incertezas sobre o cenário fiscal e as expectativas inflacionárias.
Fiscal segue pressionando o cenário
O principal fator de atenção do Focus continua sendo as contas públicas. A dívida líquida do setor público deve subir de 70,2% do PIB em 2026 para 79,3% em 2029.
O resultado primário permanece negativo:
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-0,52% do PIB em 2026
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-0,40% em 2027
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-0,20% em 2028
O equilíbrio só aparece em 2029.
Já o resultado nominal, que inclui o custo dos juros da dívida, deve permanecer elevado, ao redor de -7% a -8% do PIB ao longo de todo o horizonte.
O que o Focus indica
O relatório reforça três leituras principais para a economia brasileira:
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inflação controlada, mas ainda sensível;
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crescimento econômico moderado;
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juros altos por período prolongado devido ao risco fiscal.
Assim, o cenário-base traçado pelo Focus aponta para uma economia com inflação próxima da meta, mas ainda dependente de política monetária restritiva para manter a ancoragem das expectativas.














