Relatório do Banco Central mostrou alta marginal na projeção de inflação para 2026, queda na estimativa da Selic e revisão para baixo do PIB; agenda terá ata do Copom, RPM e prévia da inflação.
A semana começa com um ajuste misto nas expectativas do mercado para a economia brasileira. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21) mostrou alta marginal na projeção para o IPCA de 2026, de 4,90% para 4,92%, ao mesmo tempo em que reduziu a estimativa para a Selic no fim do ano, de 13,75% para 13,50%.
O Focus é um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções de instituições financeiras, consultorias e demais participantes do mercado para indicadores como inflação, juros, câmbio e Produto Interno Bruto (PIB). As estimativas não representam uma previsão do Banco Central, mas funcionam como termômetro das expectativas dos agentes econômicos.
No relatório desta segunda, a projeção para o IPCA de 2027 permaneceu em 4,30%. Para 2028, a estimativa continuou em 3,80%, enquanto a previsão para 2029 ficou estável em 3,50%.
Na atividade econômica, o mercado reduziu a previsão de crescimento para 2026, de 1,89% para 1,88%. Para 2027, a estimativa caiu de 1,45% para 1,43%. As projeções para 2028 e 2029 ficaram estáveis em 1,87% e 2,00%, respectivamente.
O câmbio não teve alteração. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a projeção continuou em R$ 5,28. Para 2028, ficou em R$ 5,30, e para 2029, em R$ 5,36.
A Selic foi o principal ponto de mudança no Focus. A projeção para o fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%. Para os anos seguintes, as estimativas permaneceram em 12,00% em 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% em 2029.
O ajuste ocorre em uma semana em que a política monetária brasileira volta ao centro da agenda. Na terça-feira (22), o Banco Central divulga a ata da última reunião do Copom. O documento será acompanhado de perto em busca de sinais sobre o ritmo dos próximos movimentos da Selic e sobre a avaliação do comitê em relação à inflação, atividade econômica e cenário fiscal.
Na quinta-feira (24), será divulgado o Relatório de Política Monetária, que traz a avaliação mais ampla do Banco Central sobre o cenário macroeconômico, projeções de inflação e riscos para a política monetária. Na sexta-feira (25), o IBGE divulga o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial.
A combinação entre Focus, ata do Copom, Relatório de Política Monetária e IPCA-15 deve orientar a leitura dos investidores sobre o espaço para novos cortes de juros. A inflação projetada ainda segue acima do centro da meta, mas a queda na estimativa da Selic sugere que parte do mercado vê espaço para uma trajetória menos restritiva adiante.
A agenda doméstica também terá balança comercial semanal nesta segunda-feira. Além dos indicadores econômicos, investidores continuarão acompanhando os desdobramentos no Supremo Tribunal Federal e a corrida presidencial, fatores que devem seguir influenciando os prêmios de risco nos ativos brasileiros até outubro.
No exterior, a China abriu a semana com a manutenção das taxas de empréstimo de referência pelo Banco Popular da China. A LPR de 1 ano ficou em 3,00%, enquanto a LPR de 5 anos, referência importante para o crédito imobiliário, permaneceu em 3,50%. Foi o 16º mês seguido sem alteração, segundo a Reuters.
Nos Estados Unidos, a agenda será mais concentrada no meio e no fim da semana. Na quarta-feira (23), serão divulgadas as prévias dos índices PMI de atividade. Na quinta-feira (24), o mercado acompanha os pedidos de seguro-desemprego. Na sexta-feira (25), saem os dados de bens duráveis e o índice de confiança da Universidade de Michigan.
Na Europa, o destaque também será a quarta-feira, com a divulgação dos PMIs da Zona do Euro e do Reino Unido. Os indicadores serão importantes para medir o ritmo da atividade econômica em um momento de incerteza sobre crescimento, inflação e próximos passos dos bancos centrais.
A semana também terá decisões de juros na Indonésia, África do Sul, México e Suíça. Esses comunicados serão acompanhados em meio ao debate global sobre inflação, fluxo de capitais e grau de restrição monetária necessário nas diferentes economias.
Na Ásia-Pacífico, a semana será marcada por feriados em Japão, Coreia do Sul, Taiwan e China, o que pode reduzir a liquidez regional em alguns pregões. Hong Kong divulgará o CPI de agosto, enquanto a Austrália terá dados da taxa de desemprego.
Os mercados entram na semana após um desempenho misto. O Ibovespa caiu 1,06% na semana anterior, enquanto o dólar comercial avançou 0,37%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 1,69%, o S&P 500 teve queda de 0,08%, o Nasdaq subiu 0,72% e o Russell 2000 caiu 1,70%.
Nas commodities, o WTI avançou 0,25%, enquanto o Brent recuou 0,71%. O ouro para dezembro subiu 0,36%, e a prata para dezembro avançou 1,59%.
Na avaliação de Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News, a semana ocorre depois de uma rodada relevante de decisões de política monetária no Brasil, nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão, que trouxe volatilidade para os mercados, especialmente em câmbio e juros. Agora, a atenção se desloca para uma nova sequência de bancos centrais, com decisões na Indonésia, África do Sul, México e Suíça, além dos desdobramentos da manutenção das taxas de referência pelo Banco Popular da China.
“Brasil, na contramão dos mercados internacionais, o Brasil cortou juros”, afirma Francisco Alves. Para ele, a ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e o IPCA-15 devem ajudar a medir como o Banco Central avalia o cenário após a decisão. Além da agenda econômica, o mercado seguirá atento às pesquisas eleitorais, aos debates da reta final da campanha presidencial e aos desdobramentos da crise envolvendo o STF e o Banco Master.
