Pular para o conteúdo
Mercados
IBOV 205.835 -0.52% USD/BRL R$ 4,98 +0.25% EUR/BRL R$ 5,60 +0.01% BTC/BRL R$ 427.594 -0.29% PETR4 R$ 53,82 -2.78% VALE3 R$ 70,37 -1.44% WEGE3 R$ 50,75 -0.98% ITUB4 R$ 50,45 +1.96% BBDC4 R$ 22,80 +4.40% BBAS3 R$ 24,64 -6.42% BPAC11 R$ 78,62 -2.81% ABEV3 R$ 16,25 -1.52% CYRE3 R$ 34,18 +3.14%
Nelogica
ECONOMIA

Fim das bets abre perda de R$ 6,8 bilhões na arrecadação até 2027

A decisão de proibir as apostas online terá efeito direto sobre as contas do governo federal. A estimativa oficial é de uma frustração de R$ 6,8 bilhões em arrecadação com bets até o final de 2027.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a perda estimada é de R$ 1,5 bilhão no restante de 2026 e de R$ 5,3 bilhões no próximo ano.

O impacto cria um novo problema para a equipe econômica porque parte dessas receitas já estava incorporada às projeções orçamentárias.

De onde viriam os R$ 6,8 bilhões?

O Orçamento de 2027 previa recursos oriundos da tributação sobre os ganhos das casas de apostas e das taxas de fiscalização cobradas das empresas. Com a atividade proibida, essas receitas deixam de existir na forma prevista anteriormente.

A equipe econômica terá de retirar os valores das projeções e decidir como acomodar a diferença.

Para 2026, a perda deverá ser incorporada ao próximo relatório de avaliação de receitas e despesas.

Já no caso de 2027, a revisão ocorre durante a própria discussão do Orçamento. story (13)

Governo pode bloquear mais despesas?

Essa é uma das possibilidades. Sem novas fontes de arrecadação, o governo poderá ser obrigado a ampliar o bloqueio de despesas para manter o cumprimento das regras fiscais.

A versão atualizada da lauda aponta que o bloqueio de verbas no Orçamento federal já soma R$ 16,1 bilhões.

Uma nova deterioração das receitas poderia aumentar a necessidade de contenção.

A decisão dependerá, entretanto, do comportamento de outras receitas, das despesas e de eventuais medidas de compensação apresentadas pela equipe econômica.

Mas as bets também retiravam dinheiro do consumo?

Esse é justamente o segundo lado da discussão econômica.

Embora a proibição elimine uma fonte direta de arrecadação, há estudos que calculam que o dinheiro direcionado às apostas reduziu gastos das famílias em outros setores.

Segundo números incorporados à lauda, estimativas apontam que as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025, principalmente pela diminuição do consumo das famílias.

Pelos cálculos citados, o efeito teria provocado uma perda de ao menos R$ 31,1 bilhões em arrecadação decorrente da menor atividade econômica.

Descontados R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas, o estudo chega a um impacto líquido negativo de R$ 22 bilhões.

Setor contesta os cálculos

Os números, no entanto, são alvo de contestação. A Associação Nacional de Jogos e Loterias questiona a metodologia empregada e afirma que os resultados variam conforme as hipóteses utilizadas pelos pesquisadores.

Isso significa que o impacto indireto das apostas sobre arrecadação e consumo não deve ser tratado como um consenso.

O governo, por sua vez, argumenta que parte do dinheiro anteriormente direcionado às apostas pode voltar a circular em outras atividades econômicas.

Se isso ocorrer, uma parcela da perda de arrecadação direta poderia ser compensada indiretamente por maior consumo em outros setores.

Questão fiscal passa a acompanhar debate sobre bets

A discussão sobre as apostas deixa, portanto, de ser apenas regulatória ou social. Ela passa também pela política fiscal.

No curto prazo, a perda dos R$ 6,8 bilhões é um dado concreto nas projeções do governo.

No médio prazo, será necessário observar se os recursos gastos anteriormente com apostas migram de fato para consumo, poupança ou pagamento de dívidas e qual será o efeito desse deslocamento sobre atividade econômica e arrecadação.

Leia mais sobre o fim das bets clicando aqui.

Notebook em segundo plano com jogo de futebol passando e à frente um celular com aplicativo de apostas onlines.
Apostas onlines. (Foto: Canva)