Daniella Marques, Esther Dweck e Aloizio Mercadante apresentam diferentes visões para ajuste fiscal, juros, atuação do Estado e crescimento
A condução das contas públicas, a trajetória dos juros, a redução de impostos e o papel do Estado no estímulo à economia estiveram entre os temas debatidos nesta segunda-feira (14), durante a 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, promovido pela Esfera Brasil, em São Paulo. Em entrevistas durante o evento, Daniella Marques, Esther Dweck e Aloizio Mercadante apresentaram diferentes diagnósticos e propostas para a economia brasileira.
Daniella Marques defende revisão de impostos e corte de privilégios
Coordenadora econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques afirmou que a equipe trabalha em um levantamento para reverter impostos criados ou elevados durante o atual governo e reduzir a burocracia. “O Flávio fez uma orientação para a equipe: trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad”, afirmou.

Segundo Daniela, mais de mil normas já foram identificadas para uma eventual revisão. A economista também relacionou a possibilidade de queda sustentável dos juros à responsabilidade fiscal.
“A taxa de juros compete ao Banco Central. Para o Banco Central poder fazer o trabalho dele na redução de juros, precisa de um governo que seja responsável com as contas”, disse.
Marques afirmou ainda que a proposta não prevê alterações nos programas sociais e que o ajuste deverá buscar redução de privilégios, benefícios tributários e enxugamento da máquina pública.
Dweck defende consolidação fiscal e mudanças no Estado
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o governo está em trajetória de consolidação fiscal, mas ponderou que o comportamento dos juros não depende exclusivamente das contas públicas. Segundo ela, fatores externos, como as taxas de juros dos Estados Unidos, também afetam o Brasil.

“Quando a gente entrou no governo, tinha uma expectativa de déficit de mais de 2% do PIB. A gente está entregando já com superávit e um superávit crescente nos próximos anos”, afirmou.
Dweck também defendeu mudanças graduais na administração pública e apontou os chamados supersalários como uma questão que precisa avançar nos diferentes Poderes.
“Já há maturidade na sociedade brasileira da importância de enfrentar isso”, disse.
Segundo a ministra, o Executivo já possui uma proposta sobre o tema, mas uma solução mais ampla dependerá de negociação com os demais Poderes.
Mercadante destaca expansão do crédito do BNDES
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a expansão do crédito do banco e afirmou que o programa destinado à aquisição de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas já movimentou mais de R$ 5 bilhões.
Segundo Mercadante, antes da iniciativa, esse público comprava cerca de 4 mil veículos por mês. Em dois meses, mais de 50 mil automóveis teriam sido comercializados dentro da nova dinâmica de financiamento.
“Já são mais de R$ 5 bilhões de crédito e mais de 50 mil carros vendidos. Acho que já deu um salto importante e tem condições de ter continuidade”, afirmou.
Mercadante também chamou atenção para o envelhecimento da população brasileira. Segundo ele, em 25 anos, o número de pessoas com mais de 60 anos deve dobrar e a população acima de 80 anos deve triplicar.
Para o presidente do BNDES, o fenômeno exigirá respostas que vão além da Previdência, envolvendo serviços de cuidado e o desenvolvimento da chamada “economia prateada”. Mercadante afirmou que o banco estuda propostas e instrumentos de financiamento voltados a esse novo cenário.
