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ECONOMIA

Dívida Federal e custo de títulos maiores: próximo passo é imprimir dinheiro?

A dívida pública federal alcançou R$ 7,939 trilhões em julho, registrando crescimento de 11,2% em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Entre junho e julho, a alta foi de R$ 55,8 bilhões, equivalente a 0,7% no mês. O aumento foi puxado principalmente pela dívida interna, que totalizou R$ 7,63 trilhões, representando 96% do total.

Enquanto isso, a dívida externa apresentou queda de 3% em 12 meses, somando R$ 308 bilhões. O Tesouro destaca que o principal fator para a elevação da dívida foi a incorporação de R$ 89,6 bilhões em juros, mesmo com o governo resgatando mais títulos do que emitiu no período. Esses números refletem um cenário de maior pressão sobre o endividamento público e o custo do financiamento do Estado.

Como a taxa de juros impacta a dívida?

Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o aumento da taxa média dos títulos públicos é natural diante do cenário fiscal atual. “O governo vai pagar mais naturalmente, e o mercado exige um prêmio maior para financiar o país devido à percepção de risco“, explica. Nesse sentido, Agostini destaca que o ideal seria o governo manter resultados primários consistentes sem recorrer à contabilidade criativa, ou seja, sem retirar gastos da meta oficial para aparentar equilíbrio fiscal.

O especialista ressalta que o arcabouço fiscal estabelece uma banda de meta: piso de -0,25% do PIB, centro da meta em zero e teto de 0,25% do PIB. “O governo poderia absorver gastos adicionais dentro dessa banda, evitando o uso de artifícios contábeis que distorcem o resultado“, afirma Agostini. Ele também alerta que programas sociais e ajudas emergenciais devem ser geridos de forma transparente, sem comprometer o equilíbrio fiscal.

Quais medidas podem conter o crescimento da dívida?

Agostini sugere que o caminho ideal envolve cortes efetivos de despesas e ajustes estruturais, incluindo:

  • Redução de cargos comissionados e ajustes no funcionalismo público;
  • Venda de ativos e privatizações de empresas estatais deficitárias;
  • Gestão mais austera de programas sociais e gastos emergenciais.

Segundo o economista, empresas estatais não devem ser utilizadas como instrumentos de filantropia social, pois isso aumenta o custo do Tesouro e eleva a percepção de risco do mercado. “Quando a conta chega, o governo precisa colocar recursos, e isso pressiona ainda mais os juros e o endividamento“, explica Agostini.

O que a situação atual indica sobre política fiscal e monetária?

O custo médio da dívida subiu para 11,63% ao ano nos últimos 12 meses, enquanto nas novas emissões alcançou 13,68% ao ano. Além disso, a reserva de liquidez caiu de R$ 1,03 trilhão em junho para R$ 988 bilhões em julho, suficiente para cobrir 7,7 meses de vencimentos. Esses números evidenciam a pressão sobre as contas públicas e a necessidade de medidas estruturais.

Para Agostini, apesar do aumento da dívida, o país não corre risco de ruptura fiscal imediata. Ele destaca que o Banco Central segue independente e mantém juros elevados para conter a inflação, que já começa a desacelerar. “A inflação deve convergir para a banda da meta em 2026, mas dificilmente chegará ao centro de 3%“, afirma.

Dívida Federal e custo de títulos maiores: próximo passo é imprimir dinheiro?
Foto: depositphotos.com / joelfotos