O mercado financeiro entra em um período decisivo ao avaliar os próximos passos do Banco Central, especialmente em relação ao início do ciclo de corte de juros. Segundo análise de Alex André, Corporate Access da MZ Group, a expectativa predominante segue sendo de um corte de 0,25 ponto percentual, movimento considerado mais prudente diante de um cenário ainda marcado por incertezas políticas e riscos globais.
Na leitura do especialista, o ambiente atual combina fatores domésticos e externos que mantêm os investidores em modo de cautela. O Ibovespa iniciou a semana pressionado, o dólar voltou a subir e o mercado internacional segue atento à condução da política monetária americana, com foco nas decisões do Federal Reserve.
Risco geopolítico e incerteza política entram no radar do mercado
Além do cenário externo, Alex André chama atenção para o aumento do prêmio de risco associado a eventos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio.
“O principal driver de volatilidade global neste momento não é o Brasil, mas o petróleo”, avalia.
A tensão envolvendo o Irã tende a gerar oscilações mais intensas nas commodities, com reflexos indiretos sobre os mercados emergentes.
No cenário doméstico, o componente político segue como fator relevante de incerteza. O mercado ainda não enxerga uma configuração clara do quadro eleitoral e, segundo o analista, esse tema deve permanecer como um dos principais vetores de risco ao longo do primeiro trimestre. A ausência de uma coalizão bem definida no campo político mantém o investidor em compasso de espera até, pelo menos, março ou abril.
Corte gradual ganha força como estratégia para ancorar expectativas
Do ponto de vista econômico, os dados recentes reforçam a leitura de que há espaço para o início do afrouxamento monetário. As projeções do Boletim Focus indicam inflação próxima de 4% e taxa Selic terminal em torno de 12,5%, cenário que sustenta a expectativa de cortes graduais ao longo do ano. Ainda assim, Alex André avalia que antecipar um movimento mais agressivo pode gerar ruídos desnecessários.
“Um corte inicial de 0,25 ponto, de forma contínua, ajuda a ancorar as expectativas e permite ao Banco Central sentir a reação do mercado”, avalia.
Para ele, acelerar demais o ritmo logo no início poderia ser interpretado como uma perda de timing da política monetária, exigindo correções posteriores.
Bolsa não precifica corte mais agressivo de juros
Na visão do economista, a bolsa brasileira ainda não está precificada para um corte de 0,50 ponto percentual. Um movimento mais agressivo poderia até impulsionar ativos de risco no curto prazo, mas também elevar a volatilidade ao levantar dúvidas sobre a trajetória final da Selic e a credibilidade da condução monetária.
Apesar das incertezas, Alex André destaca que o mercado acionário brasileiro ainda negocia a múltiplos descontados em relação a seus pares globais. Após um desempenho fraco em 2024, a recuperação observada em 2025 apenas compensou perdas anteriores, mantendo a bolsa brasileira relativamente barata no comparativo internacional.
Para os próximos meses, a avaliação é de que o primeiro trimestre será determinante tanto para a política monetária quanto para a leitura do cenário político. A sinalização do Banco Central em março tende a ser suficiente para orientar os mercados, desde que o corte de juros ocorra de forma calibrada e alinhada às expectativas.













