A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sebrae reúnem nesta quarta-feira (25) e quinta-feira (26), em São Paulo, empresários, autoridades, pesquisadores e investidores para a 11ª edição do Congresso de Inovação da Indústria. Mais do que um encontro setorial, o evento reforça o esforço da indústria para colocar inovação, produtividade e competitividade no centro da discussão econômica dos próximos anos.
Realizado no World Trade Center (WTC), o congresso deve discutir temas como inteligência artificial, transição energética, deep techs, biotecnologia, capital humano e integração entre universidades e empresas. A proposta é usar o evento como ponto de convergência entre setor produtivo, academia e poder público para enfrentar gargalos históricos da inovação no país.
Segundo a CNI, a edição deste ano foi precedida por uma jornada nacional que passou por mais de 50 cidades, ouvindo milhares de representantes do setor produtivo para mapear os principais entraves à inovação no Brasil. Entre os obstáculos mais recorrentes aparecem a dificuldade de acesso ao crédito, a escassez de mão de obra qualificada e a insegurança regulatória.
Na leitura que emerge do congresso, o desafio brasileiro já não está apenas na formulação de políticas de incentivo, mas na capacidade de transformar ciência, tecnologia e investimento em produtividade, escala e competitividade.
Inovação sai do discurso e entra na disputa por competitividade
O pano de fundo do congresso é um ambiente internacional cada vez mais pressionado por geopolítica, reorganização de cadeias produtivas, disputa por energia e soberania tecnológica. Nesse contexto, inovação passa a ser tratada não apenas como agenda de modernização, mas como fator central de competitividade industrial.
Entre os temas com maior peso na programação está a transição energética, reforçada pelo avanço da demanda por infraestrutura digital e data centers. O debate também inclui o papel de minerais críticos, combustíveis de menor emissão e da capacidade brasileira de se posicionar em cadeias globais mais intensivas em tecnologia.
A leitura por trás dessa agenda é clara: quem não ganhar produtividade, escala e capacidade tecnológica corre o risco de perder relevância econômica nos próximos anos.
Relação entre academia e empresa entra no centro do debate
Outro eixo importante do congresso é a aproximação entre universidades, centros de pesquisa e empresas. A CNI pretende reforçar a necessidade de transformar conhecimento científico em aplicação prática, especialmente em áreas de maior complexidade tecnológica, como saúde, biotecnologia, energia e novos materiais.
A inclusão de um espaço voltado a deep techs reforça esse movimento. O objetivo é mostrar como empresas baseadas em ciência podem atuar como parceiras do setor produtivo em projetos de longo prazo, com potencial de impacto industrial e ganho de competitividade.
O desafio agora é execução
Embora o diagnóstico seja conhecido há anos, o desafio continua sendo a capacidade de execução. O Brasil já possui instrumentos de financiamento, incentivos fiscais e marcos legais voltados à inovação, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse arcabouço em resultados mais amplos para a economia real.
Por isso, o congresso da CNI acontece em um momento em que a indústria busca ampliar seu papel na discussão sobre crescimento, produtividade e inserção internacional.
No fim, a mensagem que atravessa o evento é direta: em um mundo mais tecnológico, mais competitivo e mais fragmentado, inovação deixou de ser apenas uma agenda de futuro e passou a ser uma condição de sobrevivência econômica.













