O setor industrial voltou a registrar perda de ritmo em outubro. Segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (9), o faturamento real da indústria caiu 2,7%, marcando a terceira queda consecutiva e reforçando o quadro de desaceleração da demanda ao longo do segundo semestre.
A sequência negativa reduziu significativamente o desempenho acumulado do ano. Até julho, o faturamento industrial crescia 4,6% em relação ao mesmo período de 2024. Agora, com os resultados até outubro, o avanço acumulado despencou para apenas 1,2%.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a retração está diretamente ligada à perda de fôlego da demanda:
“Nos últimos meses, a indústria vem sentindo queda mais intensa na demanda por seus produtos. Naturalmente, esse recuo se reflete no faturamento do setor.”
Emprego industrial recua e massa salarial tem quarta queda seguida
O mercado de trabalho da indústria também apresentou enfraquecimento em outubro. O número de empregados caiu 0,3%, interrompendo o desempenho positivo observado na maior parte do ano. Ainda assim, no acumulado de janeiro a outubro, o emprego industrial registra alta de 1,9% frente a 2024.
Já a massa salarial teve queda de 0,5% no mês e acumulou retração de 2,4% no ano. Foi a quarta queda mensal consecutiva. O rendimento médio real também recuou 0,3%, aprofundando a perda acumulada, que agora chega a 4,2% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Produção mostra leve reação com aumento das horas trabalhadas
Apesar do cenário negativo, houve sinais pontuais de melhora na produção. As horas trabalhadas na indústria cresceram 0,4% em outubro, a segunda alta consecutiva. Com isso, o indicador acumula avanço de 1,1% nos dez primeiros meses do ano frente a 2024.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também subiu ligeiramente, passando de 78,3% para 78,4% em outubro. No entanto, a média de janeiro a outubro permanece 0,9 ponto percentual abaixo do nível observado no ano passado.
Demanda fraca mantém indústria em alerta
Os resultados reforçam o cenário de fragilidade da atividade industrial no final de 2025. A combinação de demanda doméstica mais fraca, custos elevados, queda no rendimento real e incertezas econômicas, tem limitado a capacidade de recuperação do setor.
Com o último bimestre do ano marcado por volatilidade e ajustes no ambiente macroeconômico, o desempenho de novembro e dezembro será crucial para definir o balanço final da indústria em 2025.

