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ECONOMIA

Brasil e EUA retomam negociação sobre tarifa de 37,5% em reunião no G20

A tarifa de 37,5% aplicada a exportações brasileiras voltou à mesa em encontro de Brasil e Estados Unidos durante agenda do G-20 na cidade de Milwaukee.

Brasil e Estados Unidos retomaram a negociação sobre a tarifa de 37,5% aplicada a exportações brasileiras.

Brasil e Estados Unidos deram nesta quarta-feira (30) mais um passo na tentativa de reduzir as barreiras comerciais que atingem produtos brasileiros. Representantes dos dois governos se reuniram presencialmente em Milwaukee, nos Estados Unidos, para discutir as tarifas que podem chegar a 37,5% sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.

Participaram do encontro os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A reunião ocorreu à margem do encontro de ministros do Comércio do G20.

A conversa não resultou no anúncio imediato de redução das tarifas, mas os dois países decidiram avançar na discussão. O governo norte-americano deverá enviar nas próximas semanas uma proposta para definir o escopo das negociações, incluindo questões tarifárias e não tarifárias. Também foi acertada a criação de um grupo de trabalho para discutir um possível acordo.

Por que alguns produtos brasileiros pagam tarifa de 37,5%?

A alíquota de 37,5% é resultado da combinação de duas medidas adotadas pelos Estados Unidos em julho.

A primeira impôs uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros depois de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Dias depois, Washington aplicou uma segunda medida, desta vez relacionada a uma investigação sobre políticas de combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção. Para o Brasil, foi estabelecida uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos.

Quando as duas medidas incidem sobre uma mesma mercadoria, as sobretaxas são acumuladas e chegam a 37,5%.

Segundo cálculos divulgados pelo MDIC, aproximadamente 16,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, considerando a pauta comercial de 2024, ficaram sujeitas simultaneamente às duas medidas. Entre os produtos alcançados estão segmentos de máquinas e equipamentos, madeira, móveis, calçados, confecções, gorduras e óleos.

Isso significa que a tarifa de 37,5% não vale para toda a pauta de exportações brasileiras.

Quanto das exportações brasileiras é afetado?

Os dados do governo mostram situações diferentes dentro da pauta comercial.

Cerca de 4,7% das exportações ficaram sujeitas apenas à sobretaxa de 12,5%, enquanto aproximadamente 1,9% estão submetidas somente à tarifa adicional de 25%.

Outros 16,5% enfrentam as duas medidas simultaneamente e podem chegar aos 37,5%. Há ainda produtos submetidos a tarifas setoriais específicas dos Estados Unidos, aplicadas com base em outra legislação comercial americana.

Por outro lado, 52,7% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano não estão alcançadas por essas sobretaxas específicas ou pelas tarifas setoriais consideradas nesse levantamento. Entre os produtos nessa situação estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, celulose e determinados produtos químicos.

O que Brasil e EUA negociaram nesta quarta-feira?

O encontro desta quarta-feira foi a primeira reunião presencial dessa nova etapa das negociações comerciais.

Brasil e Estados Unidos discutiram os principais pontos de atrito da relação bilateral e sinalizaram intenção de buscar soluções negociadas. Segundo o comunicado divulgado após a reunião, os dois lados reconheceram a necessidade de avançar na superação dos obstáculos comerciais existentes.

O próximo passo deve partir de Washington. O governo norte-americano ficou responsável por apresentar um documento delimitando quais assuntos poderão entrar nas negociações.

Esse texto deverá incluir tanto tarifas quanto barreiras não tarifárias, abrindo caminho para as discussões no grupo de trabalho criado pelos dois países.

Ainda não há, porém, prazo definido para uma eventual redução das alíquotas.

Como as negociações foram retomadas?

As conversas ganharam novo impulso depois de um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 21 de agosto.

Após o contato entre os presidentes, Jamieson Greer procurou o governo brasileiro para retomar formalmente as negociações comerciais.

Em 31 de agosto, representantes dos dois países realizaram uma reunião virtual. Na ocasião, Vieira, Márcio Elias Rosa e Greer voltaram a discutir as duas decisões dos Estados Unidos que elevaram as tarifas sobre produtos brasileiros.

O encontro desta quarta-feira em Milwaukee representa, portanto, uma nova etapa desse processo, agora com negociação presencial.

Qual é o impacto das tarifas sobre o comércio com os EUA?

O aumento das barreiras ocorre em um momento de redução das vendas brasileiras para o mercado norte-americano.

As exportações do Brasil para os Estados Unidos atingiram US$ 40,4 bilhões em 2024, mas recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu: passou de 12% em 2024 para 10,8% em 2025 e chegou a 9,4% no primeiro semestre deste ano.

Para os setores diretamente atingidos, uma eventual redução das tarifas pode melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Por enquanto, porém, as sobretaxas continuam em vigor, e a negociação entra em uma nova fase sem acordo definitivo sobre redução ou retirada das alíquotas.

O foco agora estará no documento que será apresentado pelos Estados Unidos e nos trabalhos do grupo bilateral. É a partir dessas discussões que Brasil e EUA poderão definir se haverá ampliação das exceções, redução das tarifas ou um acordo comercial mais amplo.

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Brasil e EUA retomam negociação sobre tarifa de 37,5%