A agenda econômica desta semana reúne uma sequência de indicadores relevantes para a formação de expectativas no mercado financeiro, com destaque para a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a prévia da inflação medida pelo IPCA-15 de março e dados sobre atividade, emprego e setor externo. No campo político-jurídico, investidores também acompanham o chamado “Vorcaro Day”, diante das expectativas de possíveis desdobramentos envolvendo delações e impactos sobre o ambiente institucional e de negócios.
O conjunto de eventos ocorre em um momento de elevada sensibilidade dos ativos locais ao cenário fiscal, monetário e político, o que tende a aumentar a volatilidade ao longo da semana.
Ata do Copom deve orientar expectativas sobre juros
Entre os eventos domésticos, o principal destaque ocorre na terça-feira, com a divulgação da ata do Copom. O documento costuma oferecer maior detalhamento sobre o diagnóstico do Banco Central em relação à inflação, atividade econômica e balanço de riscos, servindo como referência para projeções da trajetória da taxa Selic.
A leitura do texto será acompanhada de perto pelo mercado, sobretudo diante da sequência de indicadores relevantes que serão divulgados nos dias seguintes. Na quinta-feira, o IBGE publica o IPCA-15 de março, considerado uma prévia importante da inflação oficial. No mesmo dia, estão previstas a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) e a divulgação do Relatório de Política Monetária pelo Banco Central.
Segundo o operador de mercado e apresentador do Pre-Market da BM&C News, Francisco Alves, a concentração de eventos macroeconômicos tende a aumentar a cautela dos investidores. “A semana tem destaque para agenda no Brasil, com ata do Banco Central na terça-feira, IBGE trazendo uma prévia da inflação, IPCA-15 de março, reunião do Conselho Monetário Nacional, e o relatório de política monetária do Banco Central. Sexta-feira, final da semana, PNAD contínua, taxa de desemprego, tem IGP-M e tem o setor externo também. Portanto, muita coisa importante na agenda macroeconômica”, afirma.
Dados de atividade, inflação e emprego completam agenda doméstica
A agenda brasileira segue carregada até o fim da semana. Na sexta-feira, o mercado acompanha a divulgação da taxa de desemprego pela PNAD Contínua, além do IGP-M de março e dos números de transações correntes e investimento estrangeiro direto.
Esses indicadores são considerados fundamentais para a avaliação do ritmo de crescimento da economia e da dinâmica inflacionária, elementos centrais para a condução da política monetária.
Além disso, o noticiário político em Brasília permanece no radar dos investidores, com atenção para possíveis repercussões relacionadas ao caso Banco Master e ao chamado “Vorcaro Day”, que pode gerar impactos na percepção de risco institucional e na confiança do mercado.
Exterior traz PMIs, inflação e decisões de juros em emergentes
No cenário internacional, os investidores acompanham a divulgação dos índices preliminares de gerentes de compras (PMIs) de março em economias centrais, como França, Alemanha, Zona do Euro, Reino Unido e Estados Unidos. Os dados são utilizados como sinalizadores da atividade industrial e de serviços.
Francisco Alves destaca ainda a importância dos indicadores europeus ao longo da semana. “Na Europa, nós temos basicamente os PMIs nos vários países da zona do euro e no Reino Unido, vendas do varejo e dados de inflação. O PIB da Espanha e indicadores de confiança do consumidor na Alemanha também entram no radar”, afirma.
Outro ponto relevante será o discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, além dos dados semanais de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que podem influenciar as expectativas sobre o mercado de energia.
Entre os emergentes, estão previstas decisões de política monetária na África do Sul, pelo South African Reserve Bank (SARB), e no México, pelo Banco Central local (Banxico). Esses movimentos são observados como indicativos do ciclo global de juros.
Temporada de balanços se aproxima do fim
No campo corporativo, a semana tende a ser mais esvaziada em termos de divulgação de resultados nos Estados Unidos, enquanto no Brasil a temporada de balanços entra em fase final. Empresas como Braskem, Azul e JHSF permanecem no radar dos investidores.














