A economia do Carnaval vai além da festa e do turismo. O evento representa uma atividade econômica relevante dentro do setor de serviços e possui efeito multiplicador superior ao de segmentos industriais tradicionais. Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) indicam que o investimento em cultura e artes, que inclui o Carnaval, gera retorno elevado para a sociedade.
De acordo com os levantamentos, cada R$ 1 aplicado em cultura pode produzir R$ 7,59 em retorno econômico por meio da geração de empregos, renda e atividade indireta. No setor de automóveis e caminhões, o impacto multiplicador é menor: R$ 3,76 para cada real investido.
Economia do Carnaval movimenta cadeia de serviços
O resultado ajuda a explicar o peso do Carnaval na atividade econômica brasileira. A economia do Carnaval mobiliza uma cadeia extensa de serviços, que inclui turismo, hotelaria, alimentação, transporte, comércio e produção de eventos.
A preparação das escolas de samba envolve profissionais de diversas áreas, como costureiras, músicos, cenógrafos, técnicos de som, iluminação, logística e segurança. Ao mesmo tempo, o aumento do fluxo de visitantes impulsiona bares, restaurantes, companhias aéreas, aplicativos de transporte e redes hoteleiras.
O chamado efeito multiplicador ocorre porque o dinheiro gasto por foliões e turistas circula por várias etapas da economia. O pagamento por hospedagem, por exemplo, se transforma em salários, consumo e contratação de novos serviços.
Setor intensivo em mão de obra
A economia do Carnaval se caracteriza por ser intensiva em emprego. Diferentemente de segmentos industriais mais automatizados, a atividade cultural depende diretamente de trabalhadores e pequenos prestadores de serviço.
O impacto social inclui trabalhadores temporários, microempreendedores e pequenos negócios, que concentram parte relevante da renda gerada durante o período festivo. Além disso, o aumento da atividade econômica amplia a arrecadação indireta de impostos.
Relação com o setor de serviços
O desempenho do Carnaval está diretamente ligado ao setor de serviços, responsável pela maior parcela do Produto Interno Bruto brasileiro. Eventos culturais elevam a circulação de pessoas e ampliam o consumo em atividades ligadas ao turismo e ao entretenimento.
Esse movimento ajuda a sustentar a atividade econômica em períodos de menor produção industrial. A alta demanda por transporte, hospedagem e alimentação cria um ciclo temporário de expansão da renda.
Economia do carnaval em comparação com a indústria
A comparação com a indústria automotiva evidencia o peso da economia do Carnaval. Embora o setor de veículos seja considerado estratégico para o país, o retorno econômico dos investimentos é inferior ao observado na cultura.
O resultado indica que atividades da economia criativa podem gerar efeitos amplos sobre emprego e renda, especialmente em países com forte potencial turístico e cultural como o Brasil.












