Imagine um mundo tão frio que, em vez de fogo, as montanhas cospem gelo derretido e lama pastosa. A descoberta de um vulcão de gelo em Plutão mudou tudo o que sabíamos sobre o Sistema Solar, revelando que esse pequeno planeta anão está muito mais vivo por dentro do que os cientistas jamais imaginaram.
Como funciona um vulcão que cospe gelo em vez de lava?
O criovulcanismo ocorre quando substâncias como água, amônia ou metano são expelidas em estado líquido ou pastoso. Um calor interno misterioso empurra essa lama gelada para a superfície, onde ela congela instantaneamente, criando estruturas gigantescas e onduladas.
Dados da missão New Horizons, analisados pelo Southwest Research Institute, mostram que essas erupções não são explosivas como as do Etna. Elas lembram mais uma pasta sendo lentamente espremida, remodelando a superfície do planeta de forma contínua.

Qual é o tamanho real dessas montanhas geladas em Plutão?
As formações identificadas pela NASA são colossais, comparáveis aos maiores vulcões terrestres que formaram as ilhas do Havaí. A região de Wright Mons se ergue a quilômetros de altura com dezenas de quilômetros de largura na base.
Veja as dimensões das principais estruturas criovulcânicas identificadas:
- Wright Mons — cerca de 4 km de altura e 150 km de extensão, similar ao Mauna Loa.
- Piccard Mons — ainda mais imponente, atingindo impressionantes 7 km de altitude.
- Região circundante — ausência total de crateras, indicando atividade geológica muito recente.
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Por que essa descoberta prova que Plutão ainda está ativo?
Para que o criovulcanismo exista, o núcleo do planeta precisa manter calor suficiente para conservar água em estado líquido. Isso é um choque científico, pois acreditava-se que um astro tão pequeno e distante do Sol já deveria ter congelado por completo há bilhões de anos. Nesse contexto, o canal Space Today, que conta com 2,24 milhões de inscritos, apresenta que a presença de criovulcões colossais, como o Wright Mons, é a prova definitiva de que o interior de Plutão reteve calor muito além do esperado, possivelmente através do decaimento radioativo de seu núcleo rochoso.
Segundo a Dra. Kelsi Singer, pesquisadora líder do estudo, a ausência de crateras nessas montanhas indica atividade geológica recente. O interior de Plutão pode conter elementos radioativos que mantêm seu núcleo aquecido e o gelo interno em movimento.
O que a composição da lama gelada revela sobre Plutão?
A consistência do material expelido indica a presença de um reservatório subterrâneo de água misturada com anticongelantes naturais. Essa mistura permite que o líquido flua mesmo em temperaturas extremamente baixas, remodelando constantemente a face do planeta.
Confira os dados mais relevantes sobre a geologia criovulcânica de Plutão:

Existe a possibilidade de vida nesses reservatórios gelados?
A presença de água líquida e calor interno abre portas para debates astrobiológicos fascinantes. Onde há calor e água, existe a curiosidade científica sobre os ingredientes básicos para sustentar formas de vida microscópicas.
O criovulcanismo em Plutão é muito diferente do observado em luas como Encélado ou Europa, sendo um processo único e massivo. Esse planeta anão se consolida como um dos corpos mais dinâmicos e intrigantes do nosso quintal espacial.

