Debaixo dos Estados Unidos, uma estrutura subterrânea gigantesca foi detectada por sensores sísmicos de alta resolução, mudando como entendemos os processos profundos da Terra. Essa bolha de rocha derretida revela que o manto terrestre ainda influencia fortemente a superfície, mesmo milhões de anos após eventos tectônicos antigos.
O que é essa bolha e onde ela está?
A estrutura é uma enorme anomalia térmica encontrada a cerca de 200 km de profundidade sob os Montes Apalaches, na região nordeste dos EUA. Conhecida como Northern Appalachian Anomaly (NAA), essa massa de rocha superaquecida tem cerca de 350 km de extensão sob a crosta terrestre.
Sua origem parece estar ligada à antiga separação entre a Groenlândia e a América do Norte, ocorrida há cerca de 80 milhões de anos durante o rifte no Oceano Atlântico Norte. Esse evento tectônico gerou instabilidades no manto que migraram lentamente até sua posição atual.

Como os cientistas conseguiram detectar essa estrutura?
Pesquisadores usaram tomografia sísmica, semelhante a uma ressonância magnética da Terra, para mapear as propriedades do manto sob a Nova Inglaterra. O projeto EarthScope, que combina centenas de estações sísmicas, foi essencial para capturar o movimento lento da bolha em direção ao sudoeste.
Veja os principais dados sobre a NAA identificados até agora:
- Profundidade estimada de 200 km abaixo da superfície
- Extensão lateral de aproximadamente 350 km
- Movimento lento em direção ao sudoeste
- Temperatura significativamente acima do padrão do manto regional
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Por que essa bolha importa para a geologia?
A NAA está desafiando ideias antigas sobre o manto terrestre. Ela mostra que nem todo calor profundo é estático, podendo se mover e influenciar regiões distantes ao longo de milhões de anos, algo que modelos anteriores não previam com clareza.
Além disso, a massa quente ajuda a sustentar a elevação dos Montes Apalaches mesmo após milhões de anos de erosão. Isso indica que estruturas profundas como a NAA são parte de processos geodinâmicos contínuos, não apenas anomalias isoladas.

O que os dados revelam sobre o impacto dessa anomalia?
A descoberta conecta processos do passado geológico com fenômenos observáveis hoje. Confira os principais impactos identificados pelos pesquisadores:
Esses dados reforçam que a NAA não é um fenômeno isolado, mas parte de uma cadeia de processos que conecta o interior da Terra à paisagem que vemos na superfície.
O que os cientistas buscam entender a seguir?
Os pesquisadores agora querem mapear com precisão a composição e o movimento da bolha, investigando como ela influencia o fluxo convectivo do manto. A grande questão é se existem anomalias semelhantes em outras partes do mundo ainda não detectadas.
Esses estudos podem redefinir nossa visão sobre o funcionamento interno da Terra e como processos ocultos moldam montanhas, vulcões e a própria evolução dos continentes ao longo de eras geológicas.


