O Mar Menor, famosa lagoa costeira do sudeste da Espanha, enfrenta uma ameaça invisível e silenciosa: um rio subterrâneo carregado de mercúrio que se infiltra diretamente em suas águas, colocando em risco tanto o ecossistema quanto a saúde humana.
O que é o Mar Menor e por que ele importa?
Separado do mar Mediterrâneo pela estreita faixa de terra de La Manga, o Mar Menor é uma das maiores lagoas salinas da Europa e um dos ecossistemas costeiros mais estudados do continente por sua biodiversidade única. Além do valor ambiental, a região é um destino turístico intensamente frequentado, o que amplia o alcance de qualquer risco à saúde.
Pesquisadores descobriram que águas subterrâneas contaminadas fluem continuamente em direção à lagoa, adicionando uma nova e grave ameaça ao frágil equilíbrio do local.

O que a pesquisa revelou sobre esse rio oculto?
Cientistas do Institut de Ciències del Mar, em Barcelona, mapearam um fluxo invisível de água subterrânea que libera cerca de 1 kg de mercúrio por ano diretamente na lagoa, volume muito superior ao transportado por fluxos superficiais conhecidos.
O mercúrio não chega por um evento recente isolado, mas é fruto de poluição histórica acumulada em aquíferos costeiros que agora é mobilizada pelo movimento natural da água subterrânea até o Mar Menor.
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Quais são os riscos para a saúde e o ambiente?
Ao entrar no ecossistema da lagoa, o mercúrio pode se converter em metilmercúrio, a forma mais tóxica do metal, que se acumula em peixes e frutos do mar. Os principais riscos identificados são:
- Danos ao sistema nervoso de quem consome frutos do mar da região
- Risco elevado para crianças e gestantes, grupos mais vulneráveis ao metal
- Bioacumulação progressiva na cadeia alimentar aquática
- Exposição humana direta ampliada pelo turismo intenso na área
O processo é especialmente perigoso porque ocorre de forma silenciosa, sem sinais visíveis na superfície da água.

Como o mercúrio chegou aos aquíferos?
Condições geológicas e hidrológicas específicas da região fizeram com que o mercúrio, antes retido em solos e sedimentos por décadas, passasse a ser transportado junto com a água que percola pelo subsolo. Veja o caminho percorrido pelo contaminante:
Esse acúmulo histórico torna a solução muito mais complexa do que simplesmente controlar uma fonte poluidora ativa.
Existe caminho para recuperar o Mar Menor?
Autoridades ambientais e pesquisadores já reconhecem a gravidade da situação e buscam formas de monitorar e mitigar a contaminação, mas o desafio é considerável. Lidar com fontes subterrâneas invisíveis e processos químicos naturais exige tecnologia, tempo e investimento contínuo.
O controle das fontes históricas de poluição e o mapeamento completo dos cursos d’água subterrâneos serão decisivos para proteger tanto a natureza quanto as populações que dependem da região para pesca e turismo.


