Um fluxo profundo de metal líquido, quente como lava e escondido centenas de quilômetros abaixo dos nossos pés, está se movendo rápido o suficiente para alterar a posição do Polo Norte magnético. Esse fenômeno, revelado por satélites que monitoram o campo magnético da Terra, mostra como o interior do planeta continua ativo e cheio de surpresas.
O que os satélites revelaram sobre esse fluxo subterrâneo?
As medições feitas por satélites especializados mostraram que o rio subterrâneo de ferro derretido está fluindo a cerca de 40 km por ano, velocidade considerada extremamente alta para processos internos da Terra. Esse jato metálico está localizado a aproximadamente 420 km de profundidade.
Essa mudança acelerada ajuda a explicar por que o Polo Norte magnético está avançando rumo à Sibéria mais rápido do que em qualquer outro período registrado, preocupando cientistas e engenheiros de sistemas de navegação ao redor do mundo.

Quais fatores fazem esse fluxo se mover com tanta velocidade?
Camadas do núcleo externo, onde o ferro está no estado líquido, criam correntes semelhantes a rios devido às diferenças de temperatura e à rotação do planeta. Esse jato ganhou força nas últimas décadas de forma acelerada e contínua.
Os pesquisadores destacam dois fatores centrais para esse movimento:
- Diferenças de densidade e calor dentro do núcleo externo, que impulsionam o fluxo
- Interações entre o núcleo e o campo magnético, que amplificam a velocidade do movimento metálico

Como esse fluxo afeta o campo magnético e a navegação global?
O campo magnético da Terra é gerado exatamente no núcleo externo, onde o ferro derretido circula continuamente. Quando o rio subterrâneo muda de direção ou acelera, isso causa alterações imediatas no campo, enfraquecendo-o sob o Canadá e deslocando a força magnética para regiões próximas à Rússia.
Veja os impactos práticos desse deslocamento:

Essas atualizações emergenciais já foram realizadas nos últimos anos para manter a segurança dos sistemas que dependem do norte magnético.
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Como a missão espacial identificou esse jato invisível?
Os dados vêm de satélites equipados para detectar pequenas variações no campo magnético terrestre com extrema precisão, permitindo enxergar o fluxo invisível do núcleo em tempo real. A partir dessas medições, cientistas reconstruíram a movimentação do rio subterrâneo ao longo do tempo.
Esse monitoramento contínuo é essencial para entender como o interior do planeta influencia diretamente a superfície, e os estudos seguem em andamento para prever com mais precisão os próximos movimentos do Polo Norte magnético.

