Algo estranho está acontecendo na nossa galáxia. Astrônomos detectaram um sinal de rádio que se repete a cada 22 minutos no espaço, vindo de um objeto a cerca de 15 mil anos-luz da Terra. O padrão é tão preciso que parece um relógio cósmico, mas segundo as leis da física conhecidas, ele simplesmente não deveria existir.
O que é esse sinal misterioso detectado no espaço?
O sinal foi identificado como GPM J1839−10, localizado na constelação de Scutum, dentro da Via Láctea, e publicado na revista Nature. Ele é classificado como um “transiente de rádio de período longo”, um tipo extremamente raro de fonte cósmica.
O objeto apresenta características que intrigam toda a comunidade científica. Os pulsos duram cerca de 5 minutos e o objeto está ativo há pelo menos 30 anos, segundo dados arquivados de observações antigas.

Por que esse sinal contradiz a física conhecida?
Objetos que emitem sinais periódicos normalmente são pulsars, estrelas de nêutrons que giram rapidamente e enviam feixes de radiação como um farol cósmico. O problema é que os números não batem com nada conhecido.
Segundo pesquisadores do International Centre for Radio Astronomy Research, um objeto que gira tão lentamente deveria estar abaixo da chamada “linha da morte“, onde o campo magnético não consegue mais gerar emissões detectáveis. Em outras palavras, ele emite sinais mesmo quando a teoria diz que isso é impossível.
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Como os cientistas descobriram esse objeto?
A descoberta foi feita com o radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA), no deserto da Austrália, liderada pela astrofísica Natasha Hurley-Walker, da Universidade Curtin. O instrumento detecta frequências de rádio muito baixas, invisíveis para telescópios tradicionais.
Veja como o processo de descoberta aconteceu:
- Pesquisadores analisaram enormes bancos de dados de observações do céu
- Um algoritmo identificou o padrão repetitivo de emissões
- Ao revisar dados antigos, perceberam que o objeto já estava ativo há décadas sem ser notado

Quais são as hipóteses para explicar o fenômeno?
A principal hipótese é que o objeto seja uma magnetar de período ultra-longo, uma estrela de nêutrons com campo magnético trilhões de vezes mais intenso que o da Terra. Outras possibilidades também estão sendo consideradas pelos cientistas.
Até agora, nenhuma dessas hipóteses explica completamente o comportamento observado pelo MWA.
O que essa descoberta pode mudar na astrofísica?
Se confirmada a hipótese da magnetar de período ultra-longo, partes importantes da astrofísica precisarão ser revisadas. O objeto pode ainda ajudar a explicar certos tipos de rajadas de rádio cósmicas que permanecem um mistério.
Novos telescópios, como o futuro Square Kilometre Array, devem ajudar a encontrar mais objetos desse tipo e finalmente resolver o enigma.


