Imagine descobrir que a Terra esconde um reservatório gigantesco de água a centenas de quilômetros abaixo dos nossos pés. Não estamos falando de lagos subterrâneos ou cavernas inundadas, mas de algo que pode conter até três vezes o volume de todos os oceanos da superfície combinados. Pesquisas em geofísica revelaram evidências de água presa a 660 km de profundidade, dentro de minerais do manto terrestre, mudando para sempre a forma como entendemos a origem da água no planeta.
O que é esse “oceano” escondido no interior da Terra?
Esse suposto oceano não é um mar líquido como os que conhecemos. A água está presa dentro da estrutura cristalina de um mineral chamado ringwoodita, localizado na zona de transição do manto, entre 410 e 660 km de profundidade.
Nessa região, pressão e temperatura são extremas, fazendo com que moléculas de água fiquem retidas como grupos de hidroxila dentro das rochas. O volume total armazenado, no entanto, pode ser imensurável.

Como os cientistas provaram que essa água realmente existe?
As evidências vieram da combinação de duas linhas de pesquisa. Pesquisadores analisaram diamantes raros vindos do interior da Terra e mediram ondas sísmicas provocadas por terremotos.
Os principais indícios foram:
- Análise de diamantes profundos, que continham inclusões de ringwoodita com cerca de 1,5% de água em sua estrutura.
- Estudos de ondas sísmicas, que mostraram mudanças de velocidade ao atravessar regiões hidratadas do manto.
Esses dados foram confirmados por institutos de geofísica ao redor do mundo, consolidando a teoria.
Por que existe tanta água no manto terrestre?
Essa água provavelmente faz parte de um processo chamado ciclo profundo da água, que ocorre ao longo de milhões de anos. Nele, placas tectônicas carregam sedimentos e água para o interior do planeta em zonas de subducção.
Esse mecanismo sugere que parte da água da Terra pode ter origem no próprio interior do planeta, e não apenas em cometas ou asteroides, como se acreditava antes.

Quais são as condições extremas nessa profundidade?
A profundidade de 660 km apresenta condições impossíveis para qualquer forma de vida conhecida. Veja um comparativo das condições em diferentes profundidades:
Por isso, a água não existe em forma líquida nessa região. Ela permanece quimicamente presa dentro dos minerais, sem formar rios ou mares subterrâneos.
O que essa descoberta muda para a ciência?
Essa confirmação transformou várias teorias sobre a formação e evolução do planeta. Os cientistas agora entendem que o interior da Terra regula a quantidade de água na superfície ao longo de bilhões de anos.
Além disso, o estudo abre caminho para compreender como outros planetas rochosos podem armazenar água em seu interior, ampliando a busca por condições habitáveis no universo.

