A anomalia de gravidade no Oceano Índico é um dos fenômenos geológicos mais estranhos do planeta. Ao sul do Sri Lanka, a gravidade terrestre é ligeiramente mais fraca que no restante do mundo, criando uma enorme depressão gravitacional invisível no oceano. Modelos geofísicos avançados sugerem que o fenômeno pode ser o “fantasma” de um oceano desaparecido há cerca de 200 milhões de anos.
O que é a anomalia de gravidade no Oceano Índico?
Conhecida cientificamente como Indian Ocean Geoid Low (IOGL), essa é a maior depressão gravitacional do planeta. Nesse local, o nível teórico do oceano pode ficar mais de 100 metros abaixo da média global devido à menor atração gravitacional.
Essa diferença não forma um buraco visível no mar. Ela existe apenas em mapas científicos chamados de geoide, que mostram como a massa do planeta está distribuída internamente.

Como um oceano antigo pode ter criado essa anomalia?
A explicação mais aceita envolve o antigo oceano Tétis, que existia entre dois supercontinentes gigantes há mais de 200 milhões de anos. Segundo simulações do Indian Institute of Science, pedaços da crosta desse oceano foram empurrados para o manto terrestre durante movimentos tectônicos.
Entenda como esse processo aconteceu:
- A crosta do Tétis foi empurrada para o interior da Terra quando placas tectônicas colidiram
- Esses fragmentos afundaram lentamente no manto ao longo de milhões de anos
- O afundamento alterou a circulação de material quente, criando regiões com menor densidade de massa
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Por que a gravidade fica mais fraca nessa região?
A anomalia acontece porque a distribuição de massa dentro da Terra não é uniforme. Materiais mais quentes e menos densos estão subindo no manto sob essa região, reduzindo a quantidade de massa abaixo do oceano e gerando o chamado “déficit de massa”.
Esses fatores combinados explicam por que a região apresenta uma gravidade consistentemente mais fraca que o restante do planeta.
Como os cientistas investigam esse fenômeno?
A anomalia foi identificada inicialmente em 1948, quando cientistas começaram a mapear o campo gravitacional da Terra. Décadas depois, novas tecnologias permitiram investigar o fenômeno com muito mais precisão.
As simulações indicaram que a forma atual da anomalia começou a se consolidar há cerca de 20 milhões de anos, quando os fragmentos do antigo oceano já estavam profundamente no manto, confirmando a relação com o desaparecimento do Tétis.

O que essa anomalia revela sobre o interior da Terra?
A IOGL é considerada uma das pistas mais importantes sobre como o interior do planeta funciona. Ela mostra que processos geológicos extremamente antigos ainda afetam a estrutura terrestre hoje, inclusive movimentos do manto a centenas de quilômetros de profundidade.
Estudar esse fenômeno ajuda os cientistas a refinar modelos sobre a dinâmica do planeta e até melhorar medições globais de nível do mar usadas por satélites.


