No lugar mais radioativo do planeta, a vida encontrou uma forma surpreendente de sobreviver. Fungos radiotróficos descobertos em Chernobyl são capazes de crescer se alimentando da própria radiação nuclear, usando um pigmento chamado melanina para transformar energia mortal em combustível biológico. E agora, a NASA quer levar esse mecanismo para o espaço.
O que são os fungos radiotróficos de Chernobyl?
Esses microrganismos prosperam dentro das estruturas destruídas do reator, onde a radiação destruiria praticamente qualquer outra forma de vida. Pesquisas da Universidade de Stanford mostraram que eles utilizam a melanina para absorver radiação gama e transformá-la em energia química.
Esse mecanismo ficou conhecido como radiossíntese, um fenômeno raríssimo na biologia. Enquanto plantas dependem da luz solar, esses fungos dependem da radiação ionizante para crescer e se reproduzir.

Como esses fungos se comportam em ambientes radioativos?
O segredo está na estrutura molecular da melanina, que sofre alterações químicas quando exposta à radiação, aumentando a eficiência do metabolismo do organismo. O resultado surpreendeu os cientistas logo nos primeiros experimentos.
Veja os comportamentos mais intrigantes registrados nos estudos:
- Os fungos crescem mais rápido em ambientes radioativos do que em condições normais
- Eles se movem ativamente em direção às fontes de radiação, como se “buscassem alimento”
- Espécies como Cladosporium sphaerospermum e Cryptococcus neoformans foram as mais estudadas
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O que os testes na Estação Espacial Internacional revelaram?
O interesse da NASA surgiu por um dos maiores desafios da exploração espacial: fora do campo magnético da Terra, astronautas ficam expostos a níveis perigosos de radiação, causando câncer e danos celulares. Um experimento com o Cladosporium sphaerospermum foi realizado na Estação Espacial Internacional para medir sua capacidade de proteção.
Os resultados foram animadores. O fungo cresceu normalmente em microgravidade e mesmo uma camada fina apresentou capacidade mensurável de absorver radiação dentro da estação.

Qual é o potencial desses fungos para missões espaciais?
Os dados coletados abriram caminho para uma ideia revolucionária: usar esses organismos como materiais de construção vivos em missões de longa duração. Confira o que os pesquisadores estão desenvolvendo:
Essa tecnologia seria especialmente valiosa em missões para Marte, onde a exposição à radiação é um obstáculo crítico ainda sem solução definitiva.
Os fungos de Chernobyl podem ser a chave para chegar a Marte?
Se os estudos avançarem, esses organismos podem se tornar uma das tecnologias biológicas mais importantes da história da exploração espacial. A ideia de usar fungos como proteção viva e autorregerável muda completamente a lógica de construção de bases em outros planetas.
O que começou como uma anomalia num reator destruído pode se tornar o material de construção das primeiras bases humanas em outro mundo.


