A iniciativa Climate Action Solutions & Engagement (C.A.S.E.), liderada por grandes empresas brasileiras, divulgou estudo que mapeia soluções climáticas já implementadas pelo setor privado na América do Sul e com potencial de expansão internacional. O levantamento, elaborado pela consultoria global Accenture, analisa 128 soluções socioambientais identificadas em articulação com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Sustainable Business COP (SBCOP).
Lançada em 2025, a C.A.S.E. reúne empresas como Bradesco, Itaúsa, Itaú Unibanco, Marcopolo, Natura, Nestlé e Vale e tem como objetivo dar visibilidade a iniciativas climáticas com potencial de escala e replicação. No estudo, as soluções foram organizadas em nove eixos estratégicos, incluindo transição energética, bioeconomia e restauração florestal, com foco na implementação prática e na viabilidade de expansão.
No estudo, as iniciativas foram organizadas em nove eixos temáticos estratégicos, como transição energética, bioeconomia e restauração florestal ,com foco em implementação e potencial de escalabilidade. A metodologia utilizada considerou a análise de soluções de acordo com critérios como impacto, escalabilidade, cobertura, maturidade, transversalidade e inovação. Além do recorte temático, o relatório permite observar padrões de escalabilidade e mapear fatores que aceleram a adoção, como mecanismos financeiros, governança e tecnologia. “Coalizões voluntárias demonstram o espírito do Mutirão da COP30 e refletem o nosso chamado de passar da negociação à implementação. Iniciativas como a Climate Action Solutions & Engagement ilustram esse esforço coletivo e o estudo apresentado demonstra soluções práticas, que podem ser compartilhadas e replicadas”, disse o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Na mesma linha, Ana Toni, CEO da COP30, avalia que o principal desafio está na ampliação da escala das soluções já existentes: “O estudo mapeia gargalos e obstáculos para avançar concretamente na expansão e na aceleração dessas soluções. Após a COP30 consolidar a agenda de implementação, precisamos, a partir desses casos reais, alinhar as regulamentações nacionais e internacionais e os instrumentos financeiros necessários para viabilizá-los, garantindo que tenham o impacto necessário”.
O relatório registra sinergia das soluções mapeadas com os planos de ação definidos na COP 30, realizada em Belém (PA), com os eixos temáticos da Action Agenda (conjunto de iniciativas e entregas práticas associadas à COP) e com os temas do Plano Clima do governo brasileiro, em linha com a orientação de foco na implementação. “A metodologia foi desenhada para conectar a questão climática à economia real, mapeando e entendendo o que, na prática, apresenta resultado concreto e potencial de escala. Ao avaliar as soluções do setor privado brasileiro através de fatores como maturidade, impacto, capacidade de replicação e possibilidades de financiamento, conseguimos visualizar um retrato objetivo de como diferentes setores já estão transformando a agenda climática em modelos de negócio viáveis e com potencial de expansão”, afirma Patricia Feliciano, Diretora‑Geral de Sustentabilidade para a América Latina da Accenture.
Principais achados
A conexão entre implementação e financiamento aparece entre os principais achados do estudo: 100% dos eixos estratégicos apresentam correlação com produtos financeiros já existentes. O mapeamento considerou cinco instituições financeiras e identificou 21 instrumentos aplicáveis, indicando que a ampliação de escala depende de estruturação de capital e condições de execução ao longo do ciclo dos projetos.
A transição energética foi o eixo mais frequente entre as soluções analisadas, com iniciativas voltadas à descarbonização de cadeias produtivas e da infraestrutura energética. Entre os exemplos estão o caminhão 100% elétrico desenvolvido no Brasil, o briquete de minério de ferro que reduz o impacto ambiental da produção de aço e o uso de drones na construção de linha de transmissão, reduzindo a supressão de vegetação.
Bioeconomia e restauração florestal também aparecem entre os destaques do relatório. No primeiro caso, o estudo aponta a combinação entre tecnologia, conhecimento tradicional e inovação produtiva. No segundo, reúne soluções baseadas na natureza voltadas à recuperação de áreas prioritárias, recomposição de paisagens e geração de benefícios para territórios e comunidades.
Outros eixos analisados
O relatório também reúne soluções em infraestrutura e economia circular, com iniciativas ligadas à mobilidade, logística, segurança hídrica, eficiência energética, logística reversa e reaproveitamento industrial. Entre os exemplos mapeados estão transporte coletivo sustentável, semeadura natural de nuvens associada à segurança hídrica, produção de polietileno a partir de etanol de cana-de-açúcar e rerrefino de óleo lubrificante usado.
No eixo de financiamento climático, o estudo destaca instrumentos financeiros associados a critérios ambientais e socioambientais. Entre os exemplos estão mecanismos de apoio à recuperação de pastagens degradadas e estruturas voltadas à conservação ambiental. Em transição justa, o relatório reúne iniciativas ligadas à capacitação, à inclusão produtiva e ao fortalecimento de capacidades técnicas, como programas de formação em finanças sustentáveis e apoio à descarbonização de pequenas e médias empresas.
O estudo também mapeia soluções em biocombustíveis, voltadas à descarbonização do transporte e ao avanço de alternativas energéticas de menor emissão. Em agricultura regenerativa, o foco está em iniciativas relacionadas à rastreabilidade, ao manejo sustentável e à mensuração da pegada de carbono em cadeias agroindustriais.
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