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O planeta oceânico descoberto a 100 anos-luz que pode estar completamente coberto por água líquida

Laila Por Laila
26/03/2026
Em Ciências Naturais

Já imaginou um planeta sem nenhum continente, nenhuma praia e nenhuma montanha emergindo da superfície? Apenas oceano em todas as direções, até onde a vista alcançaria? Esse cenário deixou de ser ficção científica quando pesquisadores identificaram o TOI-1452 b, um mundo a 100 anos-luz da Terra que pode ser inteiramente coberto por água líquida e que os próprios autores descrevem como um dos melhores candidatos a mundo oceânico já encontrados.

O que é o TOI-1452 b e onde esse planeta está localizado?

O TOI-1452 b está localizado na constelação de Draco (o Dragão), a cerca de 100 anos-luz da Terra. O planeta orbita a estrela TOI-1452, uma anã vermelha de baixa massa, muito menor e mais fria que o nosso Sol, que por sua vez faz parte de um sistema binário: duas estrelas de tamanho semelhante que orbitam uma à outra, separadas por apenas 97 unidades astronômicas, cerca de 2,5 vezes a distância entre o Sol e Plutão.

A descoberta, realizada em agosto de 2022, foi liderada por Charles Cadieux, doutorando do Institute for Research on Exoplanets (iREx) da Universidade de Montreal. O grupo incluiu o pesquisador brasileiro Eder Martioli, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTI), tornando a conquista também nacional.

Já imaginou um planeta sem nenhum continente, nenhuma praia e nenhuma montanha emergindo da superfície?

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Como os cientistas detectaram e confirmaram a existência desse planeta?

O TOI-1452 b foi detectado pelo satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, da NASA), que identificou uma leve diminuição periódica no brilho da estrela a cada 11,1 dias, o período orbital do planeta. Para confirmar a descoberta e estimar sua massa, a equipe utilizou o espectrôgrafo SPIRou, instalado no Canada-France-Hawaii Telescope (CFHT), no cume do vulcão Maunakea, no Havaí.

Conforme o estudo original publicado no arXiv, a equipe acumulou mais de 50 horas de observação para obter dados confiáveis sobre a massa e o raio do planeta, base de todos os cálculos de composição que se seguiram.

O TOI-1452 b foi detectado pelo satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, da NASA), que identificou uma leve diminuição periódica no brilho da estrela a cada 11,1 dias, o período orbital do planeta

Por que a densidade do TOI-1452 b sugere um oceano global de água?

O TOI-1452 b é 1,67 vez maior em raio do que a Terra e tem massa aproximadamente cinco vezes maior. Combinados, esses números revelam uma densidade significativamente menor do que seria esperado para um planeta rochoso, o que indica que uma fração considerável de sua composição é formada por materiais mais leves que a rocha.

A candidata mais provável é a água, que pode representar até 30% da massa total do planeta. Para comparação, na Terra, a água cobre cerca de 70% da superfície, mas representa menos de 0,1% da massa total. Em TOI-1452 b, essa proporção seria 300 vezes maior, uma diferença estrutural radical entre os dois mundos.

Para entender visualmente, significando um planeta completamente coberto por oceanos e como os cientistas chegaram a essa conclusão, o canal Mistérios do Espaço, com mais de 940 mil inscritos especializados em astronomia e exploração espacial, publicou uma análise completa sobre o TOI-1452 b e toda a classe dos planetas oceânicos:

Como seria a estrutura interna desse planeta coberto por água?

Segundo o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTI), modelos publicados em dezembro de 2024 apontam que a estrutura interna mais provável do TOI-1452 b seria organizada em três camadas distintas:

  • Superfície: oceano global de água líquida sem continentes nem massas de terra emergidas, cobrindo o planeta inteiramente
  • Camada intermediária: gelo de alta pressão, uma fase exótica da água que permanece sólida mesmo em temperaturas relativamente elevadas por causa da pressão extrema das camadas superiores
  • Núcleo: massa rochosa central, separada do oceano pela camada de gelo, semelhante em composição ao interior terrestre

O TOI-1452 b poderia abrigar alguma forma de vida?

A questão é um dos debates científicos mais abertos sobre esse planeta. A favor da habitabilidade estão a presença de água líquida, a temperatura de equilíbrio estimada em torno de 326 K (aproximadamente 53 °C), quente, mas potencialmente compatível com vida, e a posição na zona habitável da estrela.

Contra estão fatores igualmente relevantes. A ausência de continentes eliminaria a troca química entre o oceano e o interior rochoso, processo que na Terra sustenta ciclos biogeoquímicos essenciais. Além disso, como o planeta orbita uma anã vermelha, pode estar sujeito ao acoplamento de maré, mantendo sempre a mesma face voltada para a estrela, e a erupções de radiação estelar intensa.

Como o Telescópio James Webb pode confirmar a natureza desse planeta oceânico?

Conforme descrito pela Wikipedia em sua entrada sobre o TOI-1452 b, o planeta foi identificado desde o início como alvo prioritário para o Telescópio Espacial James Webb (JWST). A proximidade de 100 anos-luz e as características do sistema estelar tornam possível observar a atmosfera por espectroscopia de transmissão: a luz da estrela atravessa a atmosfera durante o trânsito e revela a composição química por meio da absorção de comprimentos de onda específicos.

Se os dados detectarem vapor d’água, dióxido de carbono ou outros marcadores em proporções compatíveis com um oceano global, a hipótese do mundo oceânico estaria confirmada, transformando o TOI-1452 b em um dos objetos mais estudados da astronomia moderna.

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Um mundo de água que desafia tudo que sabemos sobre planetas habitáveis

O TOI-1452 b não é apenas mais um exoplaneta na lista dos milhares já catalogados. É um planeta que desafia categorias estabelecidas: nem rochoso como a Terra, nem gasoso como Netuno, mas algo radicalmente diferente que a ciência ainda está aprendendo a caracterizar.

E enquanto o Telescópio James Webb acumula dados sobre sua atmosfera, ele lembra que o universo reserva formas de existência que vão muito além do que a experiência terrestre permite imaginar. Um oceano sem fundo, sem praias e sem horizonte visível pode ser, em algum lugar a 100 anos-luz daqui, a paisagem mais comum do cosmos.

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