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O prédio de 500 metros de altura que se estenderia por 170 km: esse projeto nasceu como promessa e virou símbolo de ambição sem limites

Vitor Por Vitor
19/02/2026
Em Cidades

Peça central do megaprojeto NEOM, no noroeste da Arábia Saudita, The Line foi anunciada como uma cidade linear de 500 metros de altura, 200 metros de largura e 170 quilômetros de extensão, sem carros e com capacidade para 9 milhões de pessoas. Em 2025, as obras foram suspensas.

A visão de um príncipe que quer reinventar o que é uma cidade

O conceito de The Line foi apresentado ao mundo em 10 de janeiro de 2021 pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, em transmissão ao vivo pela televisão estatal saudita. A proposta era radical: duas estruturas paralelas de vidro espelhado se estenderiam por 170 km pelo deserto, do Mar Vermelho até a região de Tabuk, formando uma cidade vertical onde todos os serviços básicos estariam a no máximo cinco minutos de caminhada. Sem ruas, sem carros, sem emissões de carbono. A circulação horizontal seria feita por um trem de alta velocidade capaz de percorrer a extensão total em 20 minutos.

O projeto faz parte do NEOM, um megaempreendimento de 500 bilhões de dólares que ocupa uma área no noroeste saudita e inclui também uma estação de esqui no deserto (Trojena), uma cidade portuária flutuante (Oxagon) e uma ilha de luxo (Sindalah). O NEOM, por sua vez, integra o Vision 2030, o plano estratégico do reino para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. O nome combina o grego neo (novo) com o árabe mostaqbal (futuro).

The Line une a promessa de reinventar a cidade à complexa realidade atual (imagem ilustrativa)

Viver em três dimensões: como funcionaria a cidade vertical

O design de The Line desafia tudo o que se conhece sobre planejamento urbano. A cidade seria organizada em camadas verticais dentro das duas paredes espelhadas, com uma faixa aberta entre elas que funcionaria como um vale artificial com vegetação, praças e luz natural. Na base ficariam a logística, a infraestrutura e o transporte de alta velocidade. Nos andares intermediários, residências, escritórios, escolas e hospitais. No topo, áreas de lazer e espaços públicos ao ar livre, incluindo um estádio suspenso a 350 metros de altura projetado para receber jogos da Copa do Mundo FIFA de 2034.

Se concluída conforme o plano original, The Line teria uma densidade de 260 mil habitantes por quilômetro quadrado, quase seis vezes a de Manila, a cidade mais densa do mundo em 2020, com 44 mil habitantes/km². O exterior inteiramente espelhado refletiria o deserto e o mar ao redor, tornando a estrutura quase invisível à distância, ao menos na teoria dos renders promocionais. A pegada de solo seria de apenas 34 km² para abrigar 9 milhões de pessoas, o que, segundo os projetistas, preservaria 95% da área natural do NEOM.

A energia viria inteiramente de fontes renováveis, com usinas solares e eólicas alimentando uma rede de inteligência artificial que gerenciaria transporte, segurança, saúde e logística urbana em tempo real. Pesquisadores de direitos digitais, como Vincent Mosco alertaram que o volume de dados coletados poderia transformar The Line em uma “cidade de vigilância”, dado o histórico de direitos humanos da Arábia Saudita.

O que de fato foi construído até agora

As obras de terraplanagem começaram em outubro de 2021. Até o final de 2024, imagens de satélite confirmavam escavações em larga escala, acampamentos de trabalhadores e infraestrutura de apoio ao longo de parte do traçado. Em abril de 2025, o diretor de operações de The Line, Giles Pendleton, publicou fotos mostrando bases de concreto, paredes de contenção e tubulações sendo instaladas em trincheiras. O plano previa a instalação de 4,8 milhões de toneladas de vigas de aço nos núcleos estruturais.

Na prática, porém, o progresso ficou muito aquém do cronograma. A primeira fase, que deveria ter 20 módulos habitacionais espalhados por 16 km, foi reduzida para 12, depois 7, depois 4 e, no final de 2023, para apenas 3. Com a redução, milhares de estacas de fundação já cravadas no deserto ficaram sem uso. Um gerente sênior de construção ouvido pelo Financial Times descreveu a situação como resultado de “tentar correr antes de saber andar”. Até o final de 2025, apenas 2,4 km de extensão haviam sido concluídos em termos de estrutura básica, sem nenhum morador.

The Line integra tecnologia de ponta ao desafio de transformar o deserto (imagem ilustrativa)

Quando o dinheiro do petróleo encontra a lei da gravidade

O orçamento original de The Line era de 1,6 trilhão de dólares. Uma estimativa interna de 2022 elevou o custo para 4,5 trilhões. Em 2025, a projeção atualizada chegava a 8,8 trilhões de dólares. Para efeito de comparação, o PIB anual da Arábia Saudita gira em torno de 1 trilhão. O projeto é financiado pelo Fundo de Investimento Público (PIF), o fundo soberano saudita com quase 1 trilhão de dólares em ativos, que em agosto de 2025 registrou uma baixa contábil de 8 bilhões de dólares relacionada ao NEOM.

A queda nos preços do petróleo agravou o cenário. Economistas do Bloomberg estimam que a Arábia Saudita precisa de um barril a 96 dólares para equilibrar seu orçamento e a 113 dólares para financiar os projetos do príncipe herdeiro. Em dezembro de 2025, o barril saudita estava cotado a 55,60 dólares. O investimento estrangeiro que o reino esperava atrair não se materializou na escala necessária. Em julho de 2025, o NEOM começou a cortar sua força de trabalho e a transferir mais de mil funcionários para Riad. Em setembro de 2025, o PIF suspendeu as obras até nova ordem.

Uma auditoria interna revelada pelo Wall Street Journal em 2025 encontrou problemas extensos no gerenciamento do projeto, incluindo evidências de “manipulação deliberada” de dados por parte de gestores. Um oficial saudita admitiu ao Sunday Times que o reino “gastou demais” e “correu a 160 km/h” sem planejamento adequado.

O custo humano que os renders não mostram

A construção de The Line exigiu a remoção forçada de comunidades inteiras da tribo Huwaitat, que habitava a região de Tabuk há gerações. Em abril de 2020, Abdul Rahim al-Huwaiti foi morto a tiros por forças de segurança em sua casa na aldeia de Al-Khariba, depois de postar vídeos nas redes sociais se opondo à desapropriação. Em outubro de 2022, três membros da mesma tribo, Shadli, Ibrahim e Ataullah al-Huwaiti, foram condenados à morte por se recusarem a deixar suas terras. Shadli era irmão de Abdul Rahim.

Além das violações contra comunidades locais, o projeto levantou preocupações ambientais. Críticos alertaram que a estrutura de 170 km cortando o deserto funcionaria como uma barreira intransponível para rotas migratórias de aves e animais selvagens, fragmentando ecossistemas em uma região onde a biodiversidade já é pressionada pela aridez. O próprio NEOM reconheceu os desafios e afirmou estar trabalhando em soluções de passagens para a fauna, sem apresentar detalhes técnicos.

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Laboratório do futuro ou monumento à ambição sem limites

Em fevereiro de 2026, o destino de The Line permanece incerto. Uma revisão estratégica conduzida por consultorias internacionais a pedido do PIF deve ser concluída até o final do primeiro trimestre, e espera-se que resulte em uma reformulação significativa do projeto. Relatórios indicam que o foco será completar um trecho de 2,4 km que incluiria o estádio para a Copa de 2034, com a expectativa de abrigar menos de 300 mil moradores até o final da década, uma fração dos 9 milhões originais. A conclusão total dos 170 km foi adiada para 2045, e análises independentes sugerem que o prazo realista pode se estender até as décadas de 2070 ou 2080.

O NEOM insiste que The Line “permanece uma prioridade estratégica” e que oferecerá “um novo modelo para a humanidade, mudando a forma como as pessoas vivem”, mas reconhece que se trata de um “desenvolvimento multigeracional de escala e complexidade sem precedentes”. Jerry Inzerillo, CEO do projeto de patrimônio Diriyah, descreveu The Line não como um fracasso, mas como “um laboratório para entender como será a qualidade de vida em 2040”. O professor Mike Cook, do Imperial College London, foi mais direto ao classificar o projeto como “uma ideia absurda” cuja execução em poucos anos seria “irrealista”. Absurda ou visionária, The Line já existe como o maior teste do século XXI sobre o que acontece quando dinheiro praticamente ilimitado colide com a física, a geografia e a complexidade de fazer seres humanos viverem dentro de um espelho no deserto.

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