Com 13.416 habitantes por quilômetro quadrado, Taboão da Serra ocupa o topo de um ranking que nenhum outro município brasileiro alcançou. O território de pouco mais de 20 km², colado à zona sul de São Paulo, é 100% urbano e não tem um metro quadrado de área rural.
Por que Taboão da Serra virou o formigueiro humano do país?
A conta é simples: 273.542 moradores dividem um espaço equivalente a 2.800 campos de futebol. A densidade é quase 600 vezes maior que a média nacional, de 23 hab/km², segundo o IBGE. O apelido de “formigueiro humano” surgiu naturalmente e hoje serve de referência quando se fala em adensamento urbano no Brasil.
A urbanização chegou a 100%, algo raro mesmo entre capitais. Não há terrenos livres para empreendimentos horizontais. Cada novo projeto precisa subir, e a verticalização se tornou a única saída para acomodar uma população que o próprio IBGE estima em 285 mil para 2025.

De vila rural a metrópole em seis décadas
Até meados do século XX, o território era um punhado de chácaras e sítios ligados a Itapecerica da Serra. A região era conhecida como Vila Poá, e o nome Taboão vem da planta taboa, chamada de peri-peri pelos indígenas tupis, abundante nos brejos do Córrego Pirajuçara. Em 19 de fevereiro de 1959, com cerca de 4 mil habitantes, o município conquistou a emancipação.
O primeiro prefeito, Nicola Vivilechio, venceu por apenas 52 votos. Logo na eleição seguinte, em 1963, Laurita Ortega Mari se elegeu com 1.347 votos e se tornou a primeira mulher a ocupar uma prefeitura no Brasil após a redemocratização de 1946. A façanha rendeu página inteira no jornal O Estado de S. Paulo e hoje é lembrada pela Medalha Laurita Ortega Mari, entregue anualmente pela Câmara Municipal.
Como é o dia a dia na cidade mais adensada do Brasil?
Quem cruza a divisa entre São Paulo e Taboão muitas vezes nem percebe: a mancha urbana é contínua, num fenômeno de conurbação típico de grandes metrópoles. O perfil é predominantemente residencial e a proximidade com a capital atrai famílias que buscam imóveis mais acessíveis sem perder o acesso a serviços.
O IDHM de 0,769 coloca o município acima da média nacional. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos atinge 98,55%, segundo o Censo 2022. Grandes indústrias como Sherwin-Williams, Biolab e Amgen mantêm unidades na cidade, gerando empregos e ampliando a arrecadação.
Quem quer descobrir São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Variedade Mota Vídeos, que é referência em Turismo, onde Geraldo Mota mostra detalhes sobre a história e o cotidiano de Taboão da Serra:
O metrô que vai mudar a rotina dos taboanenses
A extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra é o projeto de mobilidade mais aguardado da região. O aditivo contratual assinado em 2025 entre o Governo do Estado de São Paulo e a concessionária ViaQuatro prevê 3,3 km de túneis, duas novas estações e investimento de R$ 4 bilhões.
A previsão oficial aponta inauguração por volta de 2031. Com a nova estação, o trajeto até a região da Paulista cairá para cerca de 26 minutos, eliminando baldeações em ônibus que hoje consomem mais de uma hora. A demanda estimada é de 110 mil passageiros por dia.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima subtropical de Taboão da Serra acompanha o padrão da Grande São Paulo, com verões quentes e úmidos e invernos amenos e secos.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 19-30 °C | Alta | Parques pela manhã |
| Outono | Mar-Mai | 16-27 °C | Média | Feiras e eventos no CEMUR |
| Inverno | Jun-Ago | 12-22 °C | Baixa | Arraial da Arena, gastronomia |
| Primavera | Set-Nov | 15-28 °C | Média | Caminhadas no Parque das Hortênsias |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que não para de crescer
Taboão da Serra é o retrato mais intenso da urbanização brasileira: um município inteiro sem um palmo de chão rural, onde cada metro quadrado conta uma história de adaptação. A primeira prefeita do Brasil pós-redemocratização nasceu aqui, e o metrô que chega em breve promete reescrever a mobilidade de mais de um milhão de pessoas na região.
Você precisa cruzar a divisa e sentir o ritmo de Taboão, a cidade que transformou a falta de espaço em motivo para se reinventar todos os dias.

