Com 64 mil km² de território, Corumbá caberia um país europeu inteiro dentro de seus limites. A Cidade Branca, como é chamada por causa do solo calcário que clareia ruas e morros, vive à margem do Rio Paraguai e guarda 60% do Pantanal sul-mato-grossense.
De onde vem a força dessa cidade pantaneira
Fundada em 1778 como posto militar contra avanços espanhóis, a cidade cresceu pelo rio. Entre 1878 e 1930, seu porto foi o terceiro maior da América Latina, atrás apenas de Buenos Aires e Montevidéu. Navios europeus subiam o Paraguai trazendo mercadorias e levando borracha amazônica.
A chegada da ferrovia deslocou o comércio para Campo Grande. Corumbá perdeu protagonismo econômico, mas preservou algo raro: um casario portuário com arquitetura de influência italiana, espanhola e árabe que não existe em nenhuma outra cidade do Centro-Oeste. O IPHAN tombou o conjunto do Casario do Porto Geral em 1993.

Como é viver na fronteira com a Bolívia
Corumbá é o único município do Centro-Oeste que faz fronteira seca com dois países. A Bolívia começa do outro lado da rua em alguns pontos. Essa proximidade moldou o cotidiano: é comum ouvir espanhol no comércio, comprar saltenhas no café da manhã e tomar tereré gelado em guampas de chifre de boi durante o calor de 35°C.
A cidade também é ponto de parada da ligação ferroviária entre o Brasil e a Bolívia, o que reforça seu caráter de encruzilhada cultural. Quem mora ali convive com o ritmo do rio, os ciclos de cheia e seca e uma gastronomia que mistura três países num mesmo prato.
Que festa faz Corumbá banhar um santo no rio?
Todo dia 23 de junho, mais de cem festeiros descem a Ladeira Cunha e Cruz carregando andores ornamentados até as margens do Paraguai. O ritual tem mais de 140 anos e consiste em mergulhar a imagem de São João Batista nas águas do rio, relembrando o batismo bíblico.
Em 2021, o Banho de São João foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN. É a única manifestação com esse título exclusivo em Mato Grosso do Sul. A festa reúne cururu, viola de cocho, quadrilhas e influência boliviana num arraial montado no Porto Geral.
O que visitar na capital do Pantanal
A cidade combina patrimônio histórico urbano com imersão total na natureza. Algumas atrações ficam a minutos do centro, outras exigem um dia inteiro de estrada de terra.
- Casario do Porto Geral: conjunto de casarões do século XIX à beira do rio, com lojas de artesanato e bares. Tombado pelo IPHAN desde 1993.
- Estrada Parque Pantanal: 120 km de terra com mais de 70 pontes de madeira, onde se avistam tuiuiús, jacarés e capivaras sem sair do carro.
- Cristo Rei do Pantanal: no topo do Morro do Cruzeiro, vista de 360° da planície alagada e da cidade.
- Forte Coimbra: construção militar de 1775, palco da Guerra do Paraguai, acessível por barco pelo rio.
- Museu de História do Pantanal (Muhpan): acervo interativo sobre a ocupação humana e a biodiversidade da maior planície alagada do planeta, reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO desde 2000.
Quem deseja conhecer Corumbá, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 52 mil visualizações, onde Deva e João mostram as belezas da capital do Pantanal:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio
O calor domina quase o ano todo. A seca concentra os animais nas margens dos rios e facilita o avistamento de fauna. Na cheia, a paisagem se transforma em espelho d’água.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 24-36°C | Alta | Paisagem alagada, passeios de barco |
| Outono | Mar-Mai | 20-33°C | Média | Início da seca, pesca liberada |
| Inverno | Jun-Ago | 15-30°C | Baixa | Safári fotográfico, Banho de São João |
| Primavera | Set-Nov | 22-36°C | Média | Florada dos ipês, avistamento de fauna |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Cidade Branca do Pantanal
Corumbá fica a 425 km de Campo Grande pela BR-262, cerca de 6h de carro. Ônibus da viação Cruzeiro do Sul fazem o trajeto diariamente. O Aeroporto Internacional de Corumbá (CMG) recebe voos com conexão, operados pela Azul.
Conheça a cidade onde o Brasil encontra o Pantanal
Corumbá reúne o que poucos lugares no país conseguem oferecer: patrimônio histórico tombado, uma festa centenária única no Brasil e a porta de entrada para a maior planície alagada do mundo.
Você precisa atravessar o Mato Grosso do Sul até a margem do Paraguai e sentir o ritmo de uma cidade que vive entre três países, dois séculos de história e milhares de espécies selvagens ao redor.

