Um morador da Capadócia derrubou uma parede em 1963 e encontrou um quarto misterioso. Atrás dela, estava a entrada para a cidade subterrânea de Derinkuyu, um complexo de 18 andares escavado à mão para abrigar 20 mil pessoas fugindo de guerras antigas.
Como foi descoberta a cidade subterrânea de Derinkuyu?
A redescoberta de Derinkuyu é uma daquelas histórias que parecem roteiro de cinema. Em 1963, um morador local bateu em uma parede de sua residência e encontrou um cômodo que não estava nos planos. A partir dali, uma rede de túneis se revelou, conectando 18 andares escavados na rocha mole da Capadócia. Investigações posteriores confirmaram mais de 600 entradas escondidas em casas da região, todas levando ao mesmo complexo subterrâneo.
Construída possivelmente pelos hititas por volta de 1200 a.C., a cidade foi ampliada e usada por diversas civilizações, como frígios, persas, árabes e, mais tarde, por cristãos bizantinos, que ali se refugiaram durante séculos de invasões.

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O que existe dentro dos 18 andares de Derinkuyu?
Derinkuyu não era apenas um buraco para se esconder. Era uma cidade completa, planejada para a sobrevivência de longo prazo. A tabela abaixo resume as principais estruturas encontradas:
Há ainda um grande salão com teto abobadado no segundo andar, que os arqueólogos acreditam ter funcionado como uma escola religiosa, com salas laterais para estudos.
Por que Derinkuyu foi construída e quando foi abandonada?
O objetivo era claro: proteger populações de invasores. Durante milênios, os habitantes da Capadócia escavaram a rocha para criar refúgios seguros contra frígios, persas, árabes e, mais tarde, contra as invasões mongóis de Tamerlão no século XIV. A cidade era interligada a outras redes subterrâneas da região, como a de Kaymakli, por túneis de até 9 quilômetros.
O abandono definitivo veio em 1923, com a saída forçada dos gregos capadócios durante a troca de populações entre a Grécia e a Turquia, após o colapso do Império Otomano. Os túneis foram então selados pelo tempo e pela memória, até a redescoberta em 1963.
O canal Ruhi Çenet, que soma mais de 17,8 milhões de inscritos, produziu um documentário detalhado sobre a cidade. O vídeo mostra como a estrutura foi fundamental para a sobrevivência de comunidades inteiras:
Quais os números mais impressionantes de Derinkuyu?
Para dimensionar a grandiosidade da obra, vale reunir os principais números:
- 18 andares escavados, descendo até 85 metros de profundidade.
- Capacidade para abrigar 20 mil pessoas simultaneamente.
- 600 entradas discretas espalhadas por residências da região.
- Portas de pedra de 450 kg, que só podiam ser abertas por dentro.
- Poço de ventilação com 55 metros de altura, que também servia como fonte de água.
- Possível ligação por túneis com outras cidades subterrâneas, formando uma rede de centenas de quilômetros.
Hoje, cerca de metade do complexo está aberta à visitação pública, como Patrimônio Mundial da UNESCO. A outra metade segue fechada para estudos e preservação.
Derinkuyu é mais que ruínas: é a prova de que a humanidade sempre encontrou jeitos de sobreviver. Escavada à mão por milênios, ela guarda a memória de povos que preferiram viver no escuro a perder a liberdade.

