Na margem direita do Rio Negro, a menos de 200 km de Manaus, Novo Airão serve como porta de entrada única para um labirinto de mais de 400 ilhas que sobem e descem 10 metros por ano. O Parque Nacional de Anavilhanas só perde em tamanho para um vizinho que está no mesmo estado.
O que acontece quando o rio sobe 10 metros
O Arquipélago de Anavilhanas funciona como um organismo vivo. Entre março e agosto, as águas do Rio Negro inundam 60% do território do parque e transformam as ilhas em florestas alagadas chamadas de igapó. Entre setembro e fevereiro, o nível baixa cerca de 10 metros e revela praias de areia branca que desaparecem por completo na cheia seguinte.
Essa variação cíclica é documentada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que administra o parque desde 2008. A unidade de conservação tem 350.018 hectares distribuídos entre os municípios de Manaus (30%) e Novo Airão (70%), com mais de 60 lagos distribuídos entre as ilhas.

O segundo maior fica no mesmo estado do primeiro
Anavilhanas é frequentemente citado como o maior arquipélago fluvial do planeta, mas perde esse posto para um vizinho próximo. O Arquipélago de Mariuá, localizado no município de Barcelos, também no Amazonas, reúne cerca de 700 ilhas e ostenta o primeiro lugar mundial.
Os dois arquipélagos estão na bacia do Rio Negro, o maior rio de águas pretas do planeta. Segundo a Reserva da Biosfera da Amazônia Central, reconhecida pela UNESCO em 2001, Mariuá e Anavilhanas são os dois maiores arquipélagos fluviais do planeta e ambos ficam dentro de uma mesma reserva hidrográfica.

O único parque nacional que nasceu com outro nome
Anavilhanas carrega uma peculiaridade administrativa: é o único Parque Nacional do Brasil que foi criado inicialmente como outra categoria de unidade de conservação. A área virou Estação Ecológica pelo Decreto 86.061, assinado em 2 de junho de 1981 pelo presidente João Figueiredo.
A recategorização para Parque Nacional só aconteceu em 29 de outubro de 2008, por meio da Lei 11.799. A mudança liberou a área para visitação turística, antes restrita à pesquisa científica e à educação ambiental. A transformação facilitou o aproveitamento da infraestrutura da região, já acostumada ao ecoturismo.
Um título UNESCO que veio em conjunto
Em 2003, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ampliou o reconhecimento da Amazônia Central como Patrimônio Mundial Natural. Anavilhanas entrou no pacote junto com o Parque Nacional do Jaú, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.
O conjunto passou a ser chamado de Complexo de Conservação da Amazônia Central e soma mais de 6 milhões de hectares protegidos. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a área concentra cerca de 60% das espécies de peixes registradas na bacia do Rio Negro, além de 60% das aves da Amazônia Central.
Quem sonha em explorar a Amazônia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TV Brasil, que conta com mais de 359 mil visualizações, onde a equipe do Caminhos da Reportagem mostra as belezas e mistérios do Parque Nacional de Anavilhanas:
A cidade que abriga dois parques nacionais
Novo Airão é um dos poucos municípios do mundo com dois Parques Nacionais dentro de seu território. Além de Anavilhanas, a cidade dá acesso ao Parque Nacional do Jaú, maior unidade de conservação de floresta tropical dentro de um único país. Juntas, as duas áreas protegem praticamente toda a margem do Rio Negro que toca o município.
A cidade tem uma história que começa em 1955, quando o antigo distrito de Airão foi desmembrado de Manaus e elevado à categoria de município pela lei estadual 99, de 19 de dezembro daquele ano. O nome atual veio em 1970, e referencia Velho Airão, cidade fantasma nas margens do Rio Jaú que foi abandonada após uma praga de formigas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem cerca de 20 mil habitantes e área de 37.771 km².
Os botos que viraram marca da cidade
A Orla de Novo Airão abriga há quase duas décadas o Flutuante dos Botos, atração que permite interação controlada com botos-vermelhos diretamente no Rio Negro. Os animais, também chamados de botos cor-de-rosa, são os maiores golfinhos de água doce do mundo e podem atingir 2,5 metros de comprimento e 200 kg.
A proximidade com os botos acontece a cerca de 40 km rio acima de Manaus e virou símbolo do turismo da cidade. Segundo estimativas do ICMBio citadas pelo Instituto Semeia, cerca de 30 mil turistas passam pelo arquipélago por ano, a maioria das regiões Sudeste e Sul do Brasil e de países europeus.
Vale a pena conhecer Novo Airão
Novo Airão é base exclusiva para o labirinto de 400 ilhas que aparece e desaparece no compasso do Rio Negro, guardiã do 2º maior arquipélago fluvial do planeta e porta de entrada para um dos patrimônios naturais mais completos da Amazônia. A mesma cidade abriga dois Parques Nacionais, hospeda botos-cor-de-rosa na Orla e abre acesso a praias que brotam do nada na seca.
Você precisa conhecer Novo Airão para entender como um pedaço de chão pode estar submerso e seco dentro do mesmo ano, e ainda assim continuar sendo um dos cantos mais bonitos do Brasil.

