No interior do estado de São Paulo, quase na fronteira com Minas Gerais, a Vila da Usina Junqueira permanece como um fóssil vivo da era industrial do início do século XX. Localizada no concelho de Igarapava, esta colônia preserva ruas de pedra e uma arquitetura uniforme que conta a história de um modelo social onde trabalho e vida doméstica se fundiam num único espaço.
Como funciona o sistema de arrendamento das casas históricas
Apesar de ter sido construída para abrigar os trabalhadores da fábrica de açúcar na década de 1910, hoje qualquer pessoa pode habitar estas residências. A gestão é feita pela Fundação Sinhá Junqueira, que recuperou imóveis que estavam em ruínas e agora os coloca para arrendamento ao público geral, atraindo moradores de cidades vizinhas em busca de sossego.
O funcionamento deste mercado imobiliário peculiar oferece casas renovadas, com casas de banho modernas e quintais espaçosos, por valores que variam entre R$ 500 e R$ 800. Abaixo, destacamos as características que tornam estas habitações geminadas tão procuradas:
- Paredes pintadas num amarelo padrão que mantém a identidade visual histórica da vila.
- Quintais amplos que muitas vezes possuem edículas ou áreas de serviço externas.
- Isenção de taxas de água e manutenção predial, que são cobertas pela fundação.
- Ruas pavimentadas com pedras originais, preservando a estética de 100 anos atrás.

Qual é a origem desta colónia industrial de 1910
A vila foi idealizada pelo Coronel Maximiliano Quito, um barão do café e do açúcar que desejava criar um ambiente de bem-estar social para os seus operários. Após a sua morte em 1938, a sua esposa Theolina Junqueira, conhecida como Sinhá Junqueira, assumiu o legado, criando a fundação que até hoje administra o patrimônio urbano, separada da gestão industrial da usina.
No auge, a comunidade funcionava como uma cidade independente, com cinema, clube social, armazéns que aceitavam vales da empresa e bailes frequentados por artistas famosos da época. A estrutura foi desenhada para o funcionário ter todas as suas necessidades atendidas sem precisar sair dos limites da propriedade.
Por que é que a escola local tem lista de espera?
A escola municipal situada dentro da vila mantém uma reputação de excelência que remonta aos tempos em que era financiada pela usina com materiais didáticos de elite. Mesmo sendo pública, a instituição atrai estudantes de toda a região, que viajam diariamente em autocarros para frequentar as aulas neste ambiente histórico.
A procura é tão alta que existe uma lista de espera para matrículas, algo raro para uma escola rural. Este fenômeno deve-se à percepção de que o ensino ali ministrado, herdeiro da disciplina e dos recursos do passado, é superior ao encontrado nas cidades vizinhas.
O papel da Locomotiva nº 5 na história do açúcar
No centro de uma das praças repousa a Locomotiva nº 5, uma máquina a vapor que operou até 1978 transportando a produção de açúcar já ensacado. Ela é uma das sete locomotivas originais que serviam a usina e foi a última a ser reformada, permanecendo como um monumento à força motriz que impulsionou a economia local.
Para entender melhor este fato, o canal ANTES DE PARTIR VIAGENS produziu um conteúdo onde os autores detalham os pontos principais desta visita ao passado. O vídeo explora o interior das casas recém-reformadas e recolhe depoimentos de antigos moradores que viram a vila no seu apogeu.
Compreender a Vila da Usina Junqueira é observar como o paternalismo industrial do século passado moldou comunidades inteiras que, curiosamente, sobrevivem à modernização. O conhecimento sobre este lugar oferece uma janela para um Brasil onde a fábrica não era apenas o local de trabalho, mas o centro de toda a existência social.

