No Quadrilátero Ferrífero, a 110 km de Belo Horizonte, existe uma cidade cujo nome em tupi significa “pedra que brilha”. Itabira viu nascer Carlos Drummond de Andrade, perdeu uma montanha inteira para a mineração e transformou a poesia em roteiro turístico a céu aberto.
Por que uma montanha inteira desapareceu do mapa?
O Pico do Cauê se erguia a 1.385 metros acima do nível do mar. Seu brilho azulado vinha do minério de ferro exposto e servia de referência para exploradores que chegavam à região em busca de ouro no século XVIII. Os irmãos Francisco e Salvador de Faria Albernaz usaram esse farol natural por volta de 1720, quando fundaram o povoado. O ouro secou no fim daquele século, mas o ferro estava apenas começando.
Com a instalação da mineração industrial no século XX, o Cauê foi consumido tonelada por tonelada até virar cratera. Onde havia uma serra inteira, hoje resta um buraco que marca a paisagem e a identidade da cidade. Drummond registrou a transformação em seus versos, e a contradição entre riqueza mineral e perda ambiental segue viva nas ruas de Itabira. A cidade integra a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela UNESCO como área de proteção de importância global.

Qualidade de vida alta na terra da poesia e do ferro?
Itabira tem qualidade de vida classificada como alta, com índice de 0,756 segundo o IBGE e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). São 113.343 habitantes pelo Censo 2022 e um PIB per capita de R$ 65.590, impulsionado pela mineração e pelo setor de serviços. A cidade faz parte do Circuito do Ouro e da Estrada Real, conectando-se a roteiros históricos que atraem visitantes de todo o estado.

O que fazer entre poemas e cachoeiras na serra?
Itabira mistura cultura drummoniana com ecoturismo na serra. Estes são os atrativos que compõem o roteiro:
- Caminhos Drummondianos: museu a céu aberto com 44 placas-poema de ferro fundido espalhadas por 7 km da cidade. Jovens do Projeto Drummonzinhos declamam versos em cada ponto. Visitas guiadas pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).
- Memorial Carlos Drummond de Andrade: projeto de Oscar Niemeyer, inaugurado em 1998 na encosta do Pico do Amor. Acervo com primeiras edições e correspondências do poeta. Vista panorâmica de toda a cidade.
- Casa de Drummond: sobrado do século XIX onde o poeta viveu dos 2 aos 13 anos. Arquitetura, jardins e quintal que inspiraram versos célebres.
- Serra dos Alves: distrito com trilhas, cachoeiras e mirantes sobre o vale. Ecoturismo e rampa de voo livre.
- Praça do Areão: patrimônio histórico tombado, com uma locomotiva a vapor da década de 1940 da antiga ferrovia da Vale.
Quem deseja conhecer o berço da mineração e da poesia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vanessa Cunha, que conta com mais de 8 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um tour completo pelos pontos históricos de Itabira, em Minas Gerais:
Quando o clima da serra favorece cada passeio?
O clima tropical de altitude garante verões quentes e chuvosos e invernos secos. A escolha da época muda o tipo de experiência:
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez–Fev | 18–30 °C | Alta | Cachoeiras da Serra dos Alves pela manhã |
| Outono | Mar–Mai | 15–27 °C | Média | Trilhas e museus com clima agradável |
| Inverno | Jun–Ago | 10–24 °C | Baixa | Caminhos Drummondianos e Festival de Inverno |
| Primavera | Set–Nov | 16–28 °C | Média | Ecoturismo e voo livre na serra |
Temperaturas aproximadas. Condições podem variar. Consulte a previsão atualizada no Climatempo.
Como chegar à cidade da poesia saindo de BH?
O acesso principal é pela BR-381 (Rodovia Fernão Dias) até o trevo de João Monlevade, seguindo pela MG-129 até Itabira. São aproximadamente 110 km desde Belo Horizonte, com tempo estimado de 1h40. A estrada é asfaltada, mas o trecho final tem curvas de serra que pedem atenção em dias de chuva.
De ônibus, a empresa Pássaro Verde opera linhas regulares saindo do Terminal Rodoviário de BH com frequência ao longo do dia. Dentro de Itabira, os principais pontos turísticos ficam no centro e podem ser percorridos a pé ou em visitas guiadas agendadas pela FCCDA.
Conheça a cidade que transformou poesia em mapa
Itabira é o lugar onde o ferro moldou a economia, a mineração redesenhou a paisagem e um poeta transformou tudo isso em literatura. Entre crateras e casarões, entre placas de ferro fundido com versos e cachoeiras escondidas na serra, a terra de Drummond oferece uma experiência que mistura cultura e natureza como poucas cidades no país.
Você precisa subir a serra e caminhar pelos 7 km de poemas espalhados pelas ruas de Itabira, a cidade onde cada esquina guarda um verso e cada mirante revela o preço e a beleza do ferro.

