Florianópolis cheira a marisco fresco no mercado público e a maresia nas trilhas à beira do mar. A capital de Santa Catarina é uma das três capitais insulares do Brasil e reúne, em pouco mais de 675 km², mais de 40 praias, uma cena gastronômica reconhecida pela UNESCO e os melhores índices de desenvolvimento humano entre todas as capitais brasileiras.
A ilha que alimentou bruxas e abastece o país
A história de Florianópolis começa muito antes dos portugueses. Registros arqueológicos mostram presença humana na ilha desde 4.800 a.C., deixada pelos chamados povos dos sambaquis. Quando os açorianos chegaram em 1747, encontraram uma ilha habitada pelos índios Carijó e trouxeram tradições culinárias, arquitetura e um folclore rico que moldaria a identidade da cidade para sempre.
Foi desse folclore que nasceu o apelido mais famoso da capital catarinense: Ilha da Magia. Conta a lenda que bruxas assustavam pescadores nas praias, roubavam barcos e davam nós nas crinas dos cavalos. O escritor Franklin Cascaes registrou e popularizou esses contos, transformando o imaginário local em patrimônio cultural.
O nome da cidade também carrega história polêmica. Até 1894, ela se chamava Nossa Senhora do Desterro. A troca pelo nome atual, em homenagem ao presidente Marechal Floriano Peixoto, gerou forte resistência entre os moradores da época, que não eram simpáticos ao governo do homenageado.

Por que 90% das ostras do Brasil nascem aqui?
A relação dos florianopolitanos com o mar não é apenas turística. As águas calmas das baías norte e sul da ilha criaram o ambiente perfeito para o cultivo de ostras e mariscos, e a cidade tornou-se a maior produtora de ostras do Brasil, responsável por mais de 90% do abastecimento nacional. São fazendas marinhas espalhadas pelo litoral, muitas delas conduzidas por famílias de descendentes açorianos que mantêm a tradição pesqueira há gerações.
Esse vínculo profundo com o mar e com a cozinha local foi reconhecido em 2 de dezembro de 2014, quando a UNESCO concedeu a Florianópolis o título de Cidade Criativa da Gastronomia. Foi a primeira cidade brasileira a receber esse reconhecimento. A culinária da ilha nasce do encontro entre os saberes açorianos, a herança indígena Carijó e ingredientes do mar: pirão de peixe, caldo de tainha, bolinho de berbigão e a sequência de camarão estão entre os pratos que definem essa identidade.

Qualidade de vida que os dados confirmam
Viver em Florianópolis significa habitar a capital brasileira com o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país: 0,847, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Em linguagem simples: a ilha lidera entre todas as capitais brasileiras em educação, saúde e renda.
Dois estudos recentes confirmam esse retrato. No Connected Smart Cities 2024, a cidade ficou em primeiro lugar entre as mais inteligentes e conectadas do Brasil pelo segundo ano seguido, avaliada em 74 indicadores como saúde, educação e mobilidade. O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2024 reforça a avaliação: a capital catarinense ficou à frente de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus em indicadores sociais e ambientais.
Esse desempenho tem base concreta no cotidiano. A cidade abriga a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), ambas entre as melhores do país. O setor de tecnologia e novos negócios cresceu nas últimas décadas, atraindo profissionais de todo o Brasil.
O que fazer além da praia mais famosa?
A Ilha da Magia tem mais de 40 praias com personalidades distintas. Para quem busca o mar agitado do surfe, as opções são amplas. Para quem prefere águas calmas, recantos mais tranquilos no norte e no sul oferecem um ritmo diferente. Mas a cidade vai além da orla.
- Praia da Joaquina: ondas reconhecidas internacionalmente e dunas de areia fina que servem de palco para o sandboard. Sediou etapas do Circuito Mundial de Surfe nos anos 1980.
- Lagoa da Conceição: espelho d’água no centro da ilha, com esportes náuticos, bares à beira-d’água e vida noturna animada.
- Ponte Hercílio Luz: maior ponte suspensa do Brasil, com 821 metros de comprimento. Inaugurada em 1926, ficou 28 anos interditada e foi reaberta em 2019 após restauração. Hoje é cartão-postal e área de lazer para caminhadas.
- Fortaleza de São José da Ponta Grossa: construída pelos portugueses entre 1740 e 1744 para barrar invasões espanholas. Única das três fortalezas históricas localizada na própria ilha, acessível a partir da Praia do Forte.
- Santo Antônio de Lisboa: bairro histórico com arquitetura açoriana preservada, engenhos de farinha ainda ativos e pôr do sol sobre a Baía Norte considerado um dos mais bonitos da cidade.
- Mercado Público de Florianópolis: construção do século XIX no centro histórico, com barracas de frutos do mar, restaurantes tradicionais e artesanato local.
Florianópolis, capital de Santa Catarina // Créditos: depositphotos.com / Hackman
O que comer na capital da ostra brasileira?
A gastronomia da ilha é inseparável do mar. Cada bairro e cada temporada têm seus ritmos e sabores. Quem chega sem fome sai com vontade de voltar só para comer.
- Ostras frescas: cultivadas nas fazendas marinhas da Baía Sul e servidas cruas, gratinadas ou ao vinagrete em restaurantes ao longo da Costa da Lagoa e do sul da ilha.
- Tainha defumada: entre julho e agosto, quando os peixes chegam à costa em grande quantidade, a pesca artesanal move famílias inteiras e o peixe aparece frito, assado e recheado nas casas e restaurantes.
- Bolinho de berbigão: petisco de origem açoriana feito com o pequeno molusco encontrado nas praias da ilha. Presença obrigatória nos bares do centro histórico.
- Sequência de camarão: prato típico que chega à mesa em várias preparações: frito, empanado, ao alho e óleo, ao molho. Tradição nos restaurantes do norte da ilha.
- Pirão de peixe: caldo grosso feito com a cabeça do peixe e farinha de mandioca, herança direta dos indígenas Carijó adaptada pela cozinha açoriana.
Quem planeja viajar, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Mundo a Dentro, que conta com mais de 50 mil visualizações, onde o casal mostra o melhor de Florianópolis:
Quando o clima favorece cada tipo de experiência?
Florianópolis tem clima subtropical com chuvas distribuídas ao longo do ano, verões quentes e invernos amenos. O verão é a alta temporada turística, mas o outono e o inverno têm encantos próprios para quem mora ou visita fora da multidão.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 22-32°C | Alta | Praias, surf, vida noturna |
| Outono | Mar-Mai | 16-26°C | Média | Trilhas, gastronomia, passeios históricos |
| Inverno | Jun-Ago | 12-20°C | Baixa | Pesca da tainha, fortalezas, mercado público |
| Primavera | Set-Nov | 17-27°C | Média | Baleias-francas, surf, trilhas costeiras |
Entre julho e novembro, baleias-francas migram da Antártida e podem ser avistadas no litoral catarinense, com pico de avistamentos em agosto e setembro. Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Uma ilha que vale conhecer e considerar morar
Florianópolis entrega o que poucas cidades brasileiras conseguem reunir: natureza preservada, gastronomia com identidade própria, dados de qualidade de vida entre os melhores do país e uma economia em expansão que não destruiu o ritmo da ilha. O apelido Ilha da Magia não é apenas folclore.
Vale atravessar o país para conhecer Florianópolis e entender, ao vivo, por que tanta gente chega de visita e fica para sempre.


