Entre a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar, a 130 km de São Paulo, Taubaté guarda no nome a herança indígena: “taba ybaté” significa aldeia elevada em tupi. É dessa elevação no Vale do Paraíba que saíram bandeirantes, escritores, cineastas e um acordo que redesenhou a política econômica brasileira.
De berço de bandeirantes a capital da literatura infantil
Fundada em 1645, Taubaté se tornou ponto de partida das expedições que abriram caminho para Minas Gerais. Bandeirantes taubateanos fundaram cidades como Mariana, Ouro Preto e São João del-Rei, segundo registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade abrigou uma Casa de Fundição de Ouro ainda no período colonial.

Dois séculos depois, foi a vez do café. Por volta de 1900, Taubaté era a maior produtora do grão no Vale do Paraíba paulista. A crise de superprodução levou governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro a assinarem, em fevereiro de 1906, o Convênio de Taubaté, primeiro plano de intervenção estatal na cafeicultura, conforme documenta o Atlas Histórico do Brasil (FGV). O acordo foi aprovado no Congresso por 107 votos a 15.
O filho mais célebre da cidade, porém, não mexeu com ouro nem café. Monteiro Lobato, nascido em Taubaté em 1882, criou o Sítio do Picapau Amarelo e é considerado o pai da literatura infantil brasileira. Em 2011, a Lei federal nº 12.388 conferiu a Taubaté o título de Capital Nacional da Literatura Infantil, conforme registrado pela Câmara dos Deputados.

O que visitar na capital do Vale do Paraíba?
Taubaté combina museus, artesanato secular e uma colônia italiana que virou reduto gastronômico. Estas são as atrações que merecem uma parada:
- Museu Monteiro Lobato: instalado na chácara onde o escritor passou a infância, o espaço recria o universo do Sítio do Picapau Amarelo. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, é o ponto mais procurado pelos turistas.
- Casa do Figureiro: desde o século XVII, artesãs moldam figuras de argila nesta tradição herdada dos frades franciscanos. O pavão de barro se tornou símbolo do artesanato paulista em 1979 e recebeu Indicação de Procedência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em fevereiro de 2025.
- Museu Mazzaropi: dedicado ao ator e cineasta Amácio Mazzaropi, que fundou sua produtora, a PAM Filmes, em Taubaté no ano de 1958. O acervo inclui figurinos, objetos de cena e registros dos filmes do Jeca Tatu.
- Museu da Imigração Italiana de Quiririm: funciona no casarão da família Indiani, construído entre 1897 e 1903 com arquitetura típica do norte da Itália. Segundo a Prefeitura de Taubaté, o espaço preserva a memória das famílias que chegaram a partir de 1891.
- Convento Santa Clara: erguido pelos franciscanos em 1674, é um dos conjuntos religiosos mais antigos do Vale do Paraíba e berço da tradição figureira da cidade.
Quem planeja viajar para o interior de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 238 mil inscritos, onde Lígia e Ulisses mostram o que fazer em Taubaté:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio em Taubaté?
O Vale do Paraíba tem verões quentes e chuvosos e invernos secos com temperaturas amenas. A melhor época para passeios ao ar livre vai de maio a setembro:
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 19-32°C | Alta | Museus e cantinas |
| Outono | Mar-Mai | 15-28°C | Média | Roteiro cultural a pé |
| Inverno | Jun-Ago | 10-24°C | Baixa | Festa Italiana e serra |
| Primavera | Set-Nov | 16-30°C | Média | Parques e artesanato |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade que merece mais do que a passagem pela Dutra
Taubaté carrega no barro das figureiras, nas páginas de Lobato e nos molhos de Quiririm uma identidade rara no interior paulista. É o tipo de lugar que surpreende quem resolve sair da rodovia e entrar pelas ruas onde bandeirantes, imigrantes e escritores deixaram marcas visíveis.
Você precisa parar em Taubaté na próxima viagem pela Dutra e conhecer a cidade que mudou a literatura infantil, a economia do café e a arte do barro no Brasil.

