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A capital bilionária com vias de 20 faixas construída no meio do nada que se transformou em uma gigantesca cidade fantasma

Vitor Por Vitor
12/03/2026
Em Cidades

No centro geográfico de Myanmar, uma cidade seis vezes maior que Nova York se estende por cerca de 7 mil km² de planícies onde antes só havia arrozais e canaviais. Naypyidaw, que em birmanês significa “morada dos reis”, foi construída do zero a partir de 2002 e revelada ao mundo em novembro de 2005 como a nova capital do país. A junta militar que governava a antiga Birmânia investiu algo entre 3 e 4 bilhões de dólares em avenidas monumentais, complexos governamentais, hotéis de luxo, campos de golfe e um estádio para 100 mil pessoas. O detalhe é que quase ninguém apareceu para usar.

Por que construir uma capital no meio do nada?

A explicação oficial foi que Yangon, a antiga capital, estava congestionada demais e sem espaço para expandir os escritórios do governo. Na prática, historiadores e analistas apontam motivações mais complexas. O general Than Shwe, que comandava a junta militar, temia ataques costeiros, levantes populares e até invasões estrangeiras. Yangon ficava no litoral, vulnerável a todas essas ameaças. Uma capital no interior, cercada por montanhas, oferecia algo que nenhum palácio em Yangon poderia: distância.

O historiador Michael Aung-Thwin observa que a mudança também seguia um padrão milenar birmanês. Antigas capitais reais, como Bagan, Mandalay e Ava, ficavam na zona seca central do país. Mudar a sede do poder ao assumir o trono era tradição entre os reis birmaneses. Para a junta, recriar esse gesto tinha valor simbólico. Há ainda relatos de que astrólogos consultados pelo general teriam aconselhado a transferência, um fator que, em Myanmar, não é tratado como anedota.

Naypyidaw é a capital bilionária que Myanmar construiu para o vazio (imagem ilustrativa)

Como é uma cidade projetada para milhões com quase ninguém dentro?

Naypyidaw foi planejada em oito distritos, três deles comunidades preexistentes e cinco construídos do zero. Avenidas de 10 a 20 faixas conectam zonas ministeriais, hotéis, shopping centers e um zoológico com habitat climatizado para pinguins. A infraestrutura é moderna: a eletricidade funciona 24 horas (algo raro no restante de Myanmar), há Wi-Fi em restaurantes e iluminação pública em todas as vias. O contraste com o resto do país é brutal.

Mas o que impressiona os poucos visitantes é justamente o vazio. A equipe do programa britânico Top Gear jogou futebol no meio da avenida de 20 faixas quando visitou a cidade em 2014. Jornalistas do The Guardian descreveram o cenário como uma mistura de subúrbio pós-apocalíptico americano com a Coreia do Norte. Varredores de rua de colete verde-neon percorrem as avenidas limpando uma sujeira que praticamente não existe. Hotéis enormes operam com lobbies vazios. Políticos e diplomatas que trabalham nos ministérios preferem morar em Yangon e fazer o trajeto de 300 km.

Quantas pessoas vivem de fato em Naypyidaw?

O governo declara oficialmente cerca de 1 milhão de habitantes, mas essa cifra é amplamente contestada. A maioria dos residentes é composta por funcionários públicos, militares e suas famílias, que vivem em conjuntos habitacionais padronizados nos arredores dos ministérios. A população flutuante inclui trabalhadores da construção civil e prestadores de serviço.

Se o número oficial estiver correto, a densidade populacional de Naypyidaw seria pouco mais da metade da de Londres, distribuída em uma área muito maior. Na prática, áreas inteiras da cidade permanecem desocupadas. Canteiros de obras inacabados dividem espaço com mansões sem moradores. À noite, lampiões iluminam ruas vazias enquanto Yangon, a 400 km, sofre com apagões frequentes.

Naypyidaw brilha como o projeto urbanístico seis vezes maior que Nova York que desafia a lógica das metrópoles globais (imagem ilustrativa)

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As avenidas de 20 faixas servem para quê?

A teoria mais repetida é que os boulevards monumentais foram projetados para funcionar como pistas de pouso improvisadas em caso de emergência militar. A largura permitiria o deslocamento rápido de comboios e equipamentos pesados. Nenhuma autoridade birmanesa confirmou essa versão, mas a escala das vias reforça a hipótese. Há também rumores de que engenheiros norte-coreanos teriam ajudado a construir uma rede de túneis subterrâneos sob a zona ministerial.

Do ponto de vista urbanístico, as avenidas refletem uma concepção de cidade baseada em valores do meio do século XX: grandiosidade, separação de zonas e dependência total do automóvel. Não há transporte público significativo. As distâncias entre bairros são enormes. Sem carro, é quase impossível se deslocar dentro de Naypyidaw, o que torna a cidade inacessível para a maioria da população birmanesa.

Quem tem curiosidade sobre cidades fantasmas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal MegaBuilds, que conta com mais de 5,1 milhões de visualizações, onde é explorada a história de Naypyidaw, a bizarra capital de Myanmar que é quatro vezes maior que Londres, mas permanece praticamente deserta:

Naypyidaw vai continuar vazia?

Capitais planejadas como Brasília e Astana (atual Astana, no Cazaquistão) também começaram com baixa ocupação e, ao longo de décadas, foram gradualmente preenchidas. A diferença é que, nessas cidades, houve incentivos econômicos, migração espontânea e investimento em serviços que atraíram população. Naypyidaw, até agora, carece de escolas suficientes, hospitais acessíveis e oferta de emprego fora da esfera governamental.

O golpe militar de 2021 reforçou o papel da cidade como fortaleza do regime, não como centro urbano para civis. Enquanto Yangon concentra conflitos, economia e vida cultural, Naypyidaw continua operando como quartel-general com paisagismo. A pergunta que paira sobre os 7 mil km² de concreto e grama é se a “morada dos reis” será um dia habitada por pessoas comuns ou se permanecerá como o maior monumento ao poder que não precisou de moradores.

Naypyidaw integra a opulência dos palácios governamentais à estranheza de uma capital que parece esperar por habitantes (imagem ilustrativa)

A capital que tem tudo, menos gente

Naypyidaw é o que acontece quando se projeta uma cidade para proteger um governo, não para abrigar uma população. Avenidas de 20 faixas, zoológico com pinguins, quatro campos de golfe e eletricidade 24 horas em um país onde a maioria não tem luz estável. A distância entre a infraestrutura e as pessoas que deveriam usá-la resume três décadas de uma aposta que, até agora, não encontrou seus habitantes.

Se um dia os mapas de Myanmar forem reescritos pela vida real e não pelo decreto, talvez Naypyidaw descubra para que servem 20 faixas de asfalto quando há gente suficiente para cruzá-las.

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