Você já imaginou morar numa ilha construída com o lixo que todo mundo descarta? O artista britânico Richart Sowa, conhecido como “Rishi”, transformou mais de 150 mil garrafas PET recicladas numa estrutura de mil metros quadrados ancorada na Lagoa Makax, perto de Cancún, no México, onde vive com energia solar, água da chuva e alimentos do próprio jardim.
Como surgiu a ideia de construir uma ilha com garrafas PET?
A ideia nasceu ainda na década de 1990, quando Sowa refletia sobre o lixo plástico que invadia praias e oceanos. Em 1998, ele concluiu sua primeira versão, chamada Spiral Island, na costa mexicana. A estrutura foi destruída completamente pelo Furacão Emily em agosto de 2005, forçando o artista a recomeçar do zero.
A segunda versão, a Joyxee Island, ficou pronta em 2008 após sete anos de trabalho com reforços estruturais significativos. Desde então, a ilha está aberta a visitantes e já foi exibida no programa Ripley’s Believe It or Not! e no MTV Extreme Cribs, em 2011.

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Como 150 mil garrafas PET conseguem sustentar uma ilha inteira?
O processo começa enchendo grandes sacos de rede com garrafas PET vazias e firmemente tampadas, que funcionam como boias individuais. Esses sacos são amarrados a estrados de madeira (paletes), formando uma plataforma robusta sobre a qual Sowa depositou camadas de areia e terra para permitir o plantio de vegetação.
O ponto fraco do sistema é o envelhecimento do plástico: a exposição contínua à água salgada e ao sol degrada as garrafas, que perdem flutuabilidade gradualmente. Por isso, a manutenção é quase diária, com substituição contínua das garrafas mais deterioradas para manter a estabilidade da ilha.
Segundo o registro detalhado sobre a ilha de Richart Sowa no México, a estrutura completa da Joyxee Island inclui:
- Casa de três andares com dois quartos, cozinha e banheiro
- Jardins com plantações e árvores de mangue integradas à base
- Painéis solares no telhado para geração de eletricidade
- Cachoeira solar e sistema de captação de água da chuva
- Máquina de lavar movida pela energia das ondas
- Dois reservatórios de água potável e forno solar para cozimento

Qual foi o papel dos mangues na estrutura da ilha?
O plantio de mudas de mangue sobre a ilha foi uma das decisões mais inteligentes do projeto. As raízes crescem livremente e se entrelaçam nas garrafas submersas, criando uma amarração natural flexível e resistente às condições marítimas.
Com o tempo, as raízes uniram as garrafas em um bloco coeso, transformando a Joyxee Island em um organismo parcialmente vivo. A fauna marinha também se beneficiou: peixes pequenos usam as raízes submersas como abrigo, tornando a estrutura um microecossistema aquático ativo sob a superfície.
O canal Coolest Thing, com mais de 252 mil inscritos no YouTube, registrou a história de Richart Sowa e mostrou de perto como a ilha foi construída e como ele vive nela até hoje, com mais de 1,6 milhão de visualizações:
Como é a vida cotidiana e a autossuficiência na Joyxee Island?
A eletricidade vem inteiramente de painéis solares instalados no telhado. A água potável é captada da chuva e armazenada em dois reservatórios. O cozimento é feito com forno solar, os alimentos vêm do próprio jardim da ilha e a máquina de lavar é movida pela energia das ondas.
As autoridades mexicanas classificam a Joyxee Island como um “ecobarco”, obrigando Sowa a cumprir regras náuticas que incluem portar extintores, boias de emergência e kits de sobrevivência. A classificação revela uma contradição curiosa: a estrutura é grande o suficiente para ser uma casa, mas flutuante o suficiente para ser tratada como embarcação.

O projeto ainda existe e qual é o próximo passo de Richart Sowa?
Em 2022, a Joyxee Island deixou Isla Mujeres e Richart Sowa iniciou a construção de uma nova ilha no Brasil, levando consigo décadas de aprendizado em ecovivência marítima. O projeto segue sendo referência global para engenheiros ecológicos e entusiastas da sustentabilidade.
A trajetória de Sowa mostra que a viabilidade de viver sobre lixo reciclado não é apenas poética: é estrutural, funcional e replicável. O que começou como uma resposta individual ao problema do plástico nos oceanos se transformou num modelo de habitação alternativa que atrai visitantes, pesquisadores e curiosos de todo o mundo há mais de duas décadas.

