O WhatsApp anunciou nesta semana que irá exibir anúncios em sua plataforma, Mas, pelo menos nessa fase inicial, estes comerciais não irão surgir no meio das conversas dos usuários – o espaço reservado aos anunciantes será a aba de “Atualizações”, que é raramente aberta por quem utiliza este aplicativo. Nada impede, porém, que o serviço de mensagens passe a veicular anúncios em seu menu principal, onde seus clientes trocam postagens.
O WhatsApp era um dos últimos bastiões da rede social a não apresentar nenhum tipo de divulgação de terceiros em seu conteúdo. A mudança de estratégia vem apenas a corroborar a tese, difundida pelo economista Milton Friedman, de que não há almoço grátis – nem no mundo digital.
Depois que os anúncios ganharem as demais abas da ferramenta, o WhatsApp muito provavelmente irá oferecer um tipo de conta “Premium” sem comerciais, como já ocorre em outras plataformas, como o YouTube. Neste último caso, a entrada de comerciais ficou tão frequente que estimulou muitos clientes a pagarem para não ter a exibição de seus vídeos interrompida por mensagens de propaganda.
Em 2024, YouTube Premium atingiu a marca de 100 milhões de assinantes (incluindo usuários em período de teste). Esse crescimento representa um aumento de 20 milhões de membros em pouco mais de um ano, consolidando o um modelo de negócios que combina receita de publicidade e de assinatura.
É exatamente o mesmo sistema utilizado por décadas pela imprensa analógica. Uma revista física, por exemplo, tinha essas duas fontes de receitas, sendo que a circulação possuía dois canais (vendas em bancas e assinantes). Não deixa de ser interessante: o formato evoluiu, mas a necessidade faturamento e o modelo de receitas continuam iguais.
O problema do WhatsApp, no entanto, é que – apesar de pertencer ao mesmo grupo que controla Facebook e Instagram – nunca foi um grande sucesso nos Estados Unidos. Lá, os usuários preferem o sistema de mensagens que já vem embutido em seu celular, como o iMessage, ou aplicativos como Snapchat, Google Messages e Discord.
De qualquer forma, o público brasileiro não pode ser desprezado. O WhatsApp tem cerca de 148 milhões de usuários ativos no Brasil em 2025. Por isso, é o aplicativo de mensagens mais popular do país (o equivalente a 99% dos brasileiros online).
Os publicitários estão enxergando oportunidades para divulgar seus clientes em tudo o que é lugar do mundo digital – de videogames a telas iniciais de televisão (Os aparelhos inteligentes da Samsung, por exemplo, já mostram propagandas assim que os clientes os ligam). Os serviços de mensagem devem, assim, ser bastante explorados pelas agências digitais.
Esse tipo de publicidade é precioso para o marketing das empresas, pois vai permitir uma segmentação profunda para os anunciantes, além de mapear com perfeição aqueles consumidores que se interessaram pelos produtos. Outra vantagem: sempre haverá a possibilidade de direcionar um comercial específico apenas para aqueles usuários que disseram ou teclaram em seus celulares que estão pensando, por exemplo, em viajar para um determinado destino da Europa. Isso será suficiente para que o usuário seja bombardeado de sugestões de itinerários europeus, vindos de companhias aéreas e hotéis.
Na vida analógica, tínhamos que ligar o rádio ou a TV ou folhear uma revista ou um jornal para ver um anúncio. Hoje, porém, esses comerciais estão na ponta de nossos dedos, habitando várias esquinas de nossos smartphones. Será que o consumidor vai aguentar a ubiquidade dos comerciais nos celulares, que se transformaram em extensões de nossos corpos? A ver.

