Pular para o conteúdo
Mercados
IBOV 206.912 +7.70% USD/BRL R$ 4,96 -0.60% EUR/BRL R$ 5,60 +0.01% BTC/BRL R$ 429.515 +0.27% PETR4 R$ 55,36 +8.19% VALE3 R$ 71,40 -0.97% WEGE3 R$ 51,25 -0.39% ITUB4 R$ 49,48 +10.37% BBDC4 R$ 21,84 +13.57% BBAS3 R$ 26,33 +11.00% BPAC11 R$ 80,89 +22.52% ABEV3 R$ 16,50 +4.17% CYRE3 R$ 33,14 +18.40%
Nelogica
Análises

Rebaixamento dos Estados Unidos em 2025 não assusta o mercado? Entenda

Em 5 de agosto de 2011, a agência S&P cortou a nota de crédito dos Estados Unidos de AAA para AA+, pela primeira vez na história, citando o crescente déficit fiscal e a paralisia no Congresso em torno do teto da dívida. A decisão pegou o mercado de surpresa.

O impacto foi imediato: o índice Dow Jones despencou 5,5% no dia seguinte, e as bolsas globais registraram perdas expressivas. Houve uma fuga para ativos considerados seguros — ironicamente, os próprios títulos do Tesouro americano — cujos rendimentos chegaram a cair diante da demanda. A volatilidade no VIX (índice do medo) disparou e analistas falaram em uma “mini crise de confiança”.

2025: Moody’s retira AAA dos Estados Unidos, mas mercados reagem com frieza

Quatorze anos depois, em 20 de maio de 2025, a Moody’s seguiu o mesmo caminho, rebaixando os EUA de Aaa para Aa1. A justificativa foi semelhante: dívida em trajetória insustentável e aumento dos custos de financiamento. Porém, desta vez, os mercados já vinham se preparando.

Os índices acionários americanos recuaram levemente após o anúncio — o S&P 500 caiu 0,4%, e o Nasdaq operou praticamente estável. Os juros dos Treasuries subiram momentaneamente, refletindo ajuste técnico, mas logo voltaram ao patamar anterior. O dólar oscilou, mas não houve movimento de fuga.

Por que a reação foi tão diferente?

A principal explicação é o fator surpresa. Em 2011, o rebaixamento era visto como improvável, o que amplificou os efeitos. Já em 2025, o mercado vinha sendo alertado sobre os riscos fiscais, especialmente após os déficits recordes de 2023 e 2024.

Além disso, a confiança no dólar como reserva de valor e na profundidade do mercado de Treasuries segue intacta. Apesar do rebaixamento, os EUA continuam sendo a maior economia do mundo, com um sistema financeiro altamente líquido. O risco percebido ainda é baixo.

Investidores mais tolerantes com o risco fiscal dos Estados Unidos

Especialistas apontam que os mercados se tornaram mais tolerantes — ou complacentes — com o risco fiscal americano. Embora o endividamento dos EUA esteja acima de 120% do PIB, não há concorrência real ao dólar como ativo seguro global. A ausência de alternativas confiáveis, como uma moeda digital chinesa plenamente conversível ou um euro estável, favorece os ativos americanos.

Leia mais notícias e análises clicando aqui

Conheça nosso canal no YouTube

Inflação nos EUA acelera no 4º trimestre: PCE sobe 2,5%
Foto: Divulgação