A taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril, o menor patamar para o mês desde o início da série histórica da PNAD Contínua, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado ficou abaixo das projeções de mercado e reforça a resiliência do mercado de trabalho brasileiro em meio a um cenário de política monetária ainda restritiva e sinais de desaceleração da atividade econômica.
Já de acordo com o CAGED, divulgado nesta semana Brasil criou 257.528 vagas formais de emprego em abril de 2025. O número representa uma forte aceleração em relação a março, quando o saldo foi de 71.576 vagas, e também supera com folga a previsão de analistas, que esperavam a abertura de cerca de 151 mil postos. De acordo com o Ministério do Trabalho, o resultado foi puxado principalmente pelo setor de serviços, que respondeu por 136.109 novas vagas — mais da metade do total do mês.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, a PNAD veio melhor do que o esperado e confirma a tendência positiva do mercado formal. “Estimamos que a taxa dessazonalizada recuou para 6,3% em abril, ante 6,6% em março. O dado reforça a resiliência do mercado de trabalho, mesmo diante da política monetária bastante restritiva e de alguns sinais de desaceleração da economia”, afirmou.
Segundo Perez, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu um recorde de 39,6 milhões, com alta de 3,8% em relação a abril de 2024. Os dados do Caged também mostraram um saldo positivo de 257,5 mil vagas formais em abril, superando tanto as expectativas quanto o resultado de abril de 2024. “Esse avanço do emprego formal, geralmente associado a rendimentos mais elevados, tem impulsionado tanto o rendimento do trabalho quanto a massa salarial”, observou. A massa salarial atingiu R$ 349,3 bilhões, com alta de 5,9% na comparação anual, enquanto o rendimento médio habitual chegou a R$ 3.426.
No entanto, Perez alerta que esse aquecimento do mercado de trabalho, somado à persistência inflacionária no setor de serviços, representa um desafio adicional à política monetária. A informalidade, por sua vez, voltou a crescer em abril, com alta de 1,5% no mês, após meses de recuo.
Desemprego em baixa vs pressão na inflação
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, também avaliou positivamente os dados da PNAD. Para ela, o recuo da taxa para 6,6% ficou abaixo da projeção da instituição, de 6,8%. “Na nossa série com ajuste sazonal, o índice caiu de 6,5% no trimestre até março para 6,3% em abril. É o menor patamar alcançado na nossa série histórica”, afirmou.
Moreno destacou que a composição da pesquisa indica uma dinâmica positiva, com crescimento tanto da população ocupada quanto da população economicamente ativa. Para ela, a continuidade do emprego em alta e da renda crescente deve manter o mercado de trabalho aquecido ao longo do ano. “Nossa projeção é de que a taxa de desemprego encerre 2025 próxima a 6%, patamar bastante baixo para os padrões históricos do país.”
Apesar do otimismo, ela ressalta que esse cenário forte de ocupação pode dificultar o controle da inflação, especialmente no setor de serviços. O banco projeta que o Copom pode elevar a Selic para 15% na próxima reunião, mas não descarta a manutenção da taxa atual, de 14,75%.
Desemprego em baixa e redução da informalidade e recorde
Na análise do economista Igor Cadilhac, do PicPay, os números também surpreenderam positivamente. Ele destacou que, com base nos cálculos internos da instituição, a taxa dessazonalizada recuou para 6,3%, o menor patamar histórico da série combinada da PNAD Contínua e da antiga PME.
“O grande destaque segue sendo a redução da taxa de informalidade, que caiu pelo sexto mês consecutivo, passando de 38,0% para 37,9%”, afirmou. Segundo ele, apesar da ausência de variação estatisticamente significativa nos rendimentos no trimestre, os salários continuam elevados e sustentam uma massa de rendimentos recorde de R$ 349,4 bilhões, com alta de 5,9% no ano.
Cadilhac, no entanto, faz um alerta sobre os efeitos inflacionários de um mercado de trabalho tão forte. “Esse quadro levanta preocupações, sobretudo diante do hiato do produto apertado e da nova regra de reajuste do salário-mínimo”, avaliou. Para ele, a expectativa é de uma desaceleração gradual no segundo semestre, mas com manutenção de um mercado aquecido por mais tempo. A projeção do PicPay é de taxa média de desemprego de 6,6% em 2025, encerrando o ano nesse mesmo nível.
Queda no desemprego reforça mercado de trabalho aquecido
A queda na taxa de desemprego reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, sustentado pelo avanço do emprego formal e pela elevação da massa de rendimentos. Embora os dados sustentem o consumo das famílias e apoiem a atividade econômica no curto prazo, o ritmo de geração de empregos e a manutenção da renda elevada seguem como desafios à política de controle inflacionário, especialmente em setores sensíveis a salários e demanda interna.
Leia mais notícias e análises clicando aqui
Conheça nosso canal no YouTube
