Em entrevista à BM&C News, o diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia, afirmou que os mercados brasileiros podem apresentar forte valorização ao longo de 2025, impulsionados por um cenário de baixa liquidez, posições vendidas desfeitas e fluxo contínuo de capital estrangeiro. Segundo ele, os investidores devem observar os momentos de ruído e incerteza como oportunidades nos mercados de ações para montar posição e buscar retornos consistentes.
“O investidor pessoa física ainda não voltou de forma contundente à Bolsa. Mas há espaço para isso acontecer — e, quando combinado com o fluxo institucional, podemos justificar projeções de 180 a 190 mil pontos para o Ibovespa”, disse.
Small caps e o efeito da liquidez nos mercados
Beto ressalta que o mercados ainda não presenciaram um novo ciclo de euforia por parte do investidor local, como ocorreu em períodos de forte entrada de CPFs na B3. Em contrapartida, o que se viu nos últimos anos foi uma série de fechamentos de capital, recompras de ações por parte das próprias empresas, e uma queda no volume médio negociado na Bolsa — fatores que, segundo ele, reduziram a liquidez estrutural do mercado.
Com essa base enxuta de liquidez, qualquer fluxo positivo tende a provocar altas expressivas, especialmente em papéis de baixa capitalização, como as small caps, que já vêm se destacando em 2024.
A força do fluxo estrangeiro e as perspectivas para os mercados em 2025
O executivo da Nomos avalia que o investidor estrangeiro tem sustentado o otimismo do mercado brasileiro e que, mesmo com uma saída pontual em abril, o movimento de entrada de capital segue dominante. Para ele, o ponto de virada poderá ocorrer quando fundos institucionais e a pessoa física nacional retomarem posição no mercado acionário.
“Se esse fluxo institucional se juntar ao estrangeiro, os valuations mais agressivos para o Ibovespa começam a fazer sentido”, afirma.
Ações seguem como a classe mais atrativa nos mercados
Ao comparar ações com outras classes de ativos como fundos imobiliários, debêntures e renda fixa, Saadia conclui que os mercados de ações no Brasil oferecem a melhor assimetria de risco e retorno para 2025.
“É a classe que faz mais sentido para navegar o ano que vem”, conclui o diretor.

