À medida que o ano de 2023 chega ao fim, um dos tópicos mais falados no setor imobiliário é, sem dúvida, a renovação do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Em junho deste ano, o governo Lula revitalizou o programa, tornando-o mais acessível às famílias de baixa renda e aumentando o limite de financiamento para R$ 350 mil.
A reformulação do programa foi uma grande notícia para as famílias e para as construtoras e incorporadoras do segmento de baixa renda, que experimentaram um aumento nas vendas. Como resultado, estas empresas também aumentaram o lançamento de novos empreendimentos.
O impacto do Minha Casa, Minha Vida no mercado imobiliário

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que a venda de imóveis novos aumentou 22,2% entre janeiro e setembro deste ano em comparação com o período homólogo.
A Abrainc destacou o papel do programa habitacional do governo federal, que foi responsável por um aumento de 22,9% no volume de unidades vendidas e de 32,9% no valor das vendas durante o período. Em termos de lançamentos, o segmento registrou um aumento de 46,6% no valor das vendas em relação ao ano anterior. Considerando que as alterações no programa entraram em vigor a partir de julho, é provável que os dados consolidados de 2023 sejam ainda mais expressivos.
Como o, Minha Casa, Minha Vida reequilibrou o mercado?
O CEO da MRV&Co (MRVE3), Rafael Menin, que atua principalmente acima da faixa 3 do programa, destaca que as mudanças foram fundamentais para o “reequilíbrio do mercado”, especialmente depois que a inflação da construção civil disparou quase 40%. “As regras do programa estavam muito desatualizadas. Entre 2021 e 2022, o MCMV entregou muito menos unidades”, comentou o executivo.
Menin acrescenta que “em 2023, com as correções executadas, pelo volume de contratação na Caixa Econômica, o programa voltou a ser o que era, vendendo de 35 mil a 40 mil unidades por mês. Este é o patamar histórico do Minha Casa Minha Vida. E a MRV continua tendo uma participação no mercado próximo de 10% do programa no mercado nacional, com uma rentabilidade dentro do que sempre entregamos ao mercado”.
Perspectivas futuras para as construtoras
Outro destaque entre as construtoras e incorporadoras do segmento de baixa renda, a Direcional (DIRR3), também observou um crescimento significativo este ano. Segundo o CEO Ricardo Gontijo, a empresa está entrando em 2024 com mais otimismo do que em 2023.
Ele explica: “este foi um ano em que tínhamos menos visibilidade sobre a queda na taxa de juros. Portanto, acredito que a perspectiva para o próximo ano é positiva para a Direcional e para todas as empresas, olhando nosso cenário macroeconômico”.
Após anos difíceis para empresas dentro e fora do Minha Casa, Minha Vida, o executivo acredita que o panorama é positivo para as empresas de construção civil, especialmente após as mudanças no programa, que ele considera benéficas.

