No mundo da política brasileira, a polêmica em torno do fim da reeleição presidencial ganhou novo capítulo. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, utilizou as redes sociais para expressar seu descontentamento com a proposta, chamando-a de “oportunista” e “retrocesso”. De acordo com a senadora, tal iniciativa “reduz os poderes do presidente” e favorece uma “maioria conservadora”.
A reeleição para o cargo de presidente foi aprovada pela Emenda Constitucional em 1997, com apoio do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com o objetivo de estender seu mandato. A proposta atual, defendida por membros da base governista, tem causado divisões entre os políticos e a população, visto que mexe no atual sistema de representação democrática.
Por que Gleisi Hoffmann classifica a medida como um retrocesso?

Gleisi acredita que, quando a reeleição foi aprovada, beneficiou as elites, mas não foi bem recebida quando o PT venceu quatro eleições presidenciais consecutivas (com Lula e Dilma Rousseff no poder). Um dos principais argumentos da política paranaense é que houve um apoio massivo das elites quando os tucanos estabeleceram a norma da reeleição, mas que essa opinião mudou quando o partido dos trabalhadores assumiu o poder.
Quem propôs a ideia e como será o procedimento para aprovação?
A ideia de acabar com a reeleição foi introduzida pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), da base do governo. Logo, foi acolhida pelo presidente do Congresso, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que indicou que irá colocar a proposta na agenda em 2024. Em uma entrevista durante viagem a Dubai, Pacheco mencionou que esse tema é “muito apropriado para o início do ano que vem”.
Essa não é uma discussão nova na política brasileira. O tempo de mandato do presidente e a possibilidade de reeleição foram temas controversos durante a Constituinte em 1988. Na época, prevaleceu a proposta de mandato de quatro anos, sem a possibilidade de reeleição, o que foi alterado posteriormente. Independentemente da aprovação ou não da nova proposta, a discussão acerca da reeleição presidencial continuará sendo um tema recorrente no futuro da política brasileira.

